O mundo pode parecer ameaçador diante de uma crise de pânico, um episódio intenso que surge sem aviso. O jornalista Nando Gross, aos 64 anos, relembra a primeira crise ocorrida no início dos anos 1990, em Porto Alegre, quando uma tontura forte o deixou sem fôlego e com o coração acelerado. Buscou ajuda médica sem entender a causa. A sensação era de que tudo desmoronava de repente.
Ao longo de meses, Gross passou por várias crises diárias, com sintomas como pressão no peito, coceira nas mãos e dificuldade de respirar. A busca por diagnóstico médico foi frustrante até que a crise inicial ganhasse um rótulo: síndrome do pânico. O relato compõe trechos do livro Crônicas de Um Radialista em Fuga, que reúne memórias da experiência.
A psicologia aponta que o pânico é diferente de medo e fobia. Enquanto o medo ocorre diante de perigos reais, a fobia envolve receios desproporcionais a situações específicas. O transtorno, por sua vez, se caracteriza por ataques intensos que costumam passar sozinhos, sem uma explicação clara, mas com potencial para limitar a vida diária.
O que é o pânico
Crises de pânico são descritas por profissionais como episódios intensos, súbitos e avassaladores. O pico pode durar minutos, com sensação de desamparo e medo extremo de perder o controle. Segundo o psiquiatra Mário Eduardo Costa Pereira, esse transtorno costuma ter início na juventude ou na vida adulta, e, sem tratamento, pode levar à evitação de sair de casa.
Abordagens terapêuticas
A terapia cognitivo-comportamental é indicada como tratamento central, ajudando o paciente a enfrentar situações que desencadeiam ataques. Medicamentosans, usados com orientação médica, ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises e podem acompanhar a psicoterapia. Técnicas de autocontrole, como respiração abdominal e relaxamento, também são utilizadas para reduzir os sintomas durante um ataque.
Convivência e manejo
Muitos pacientes aprendem a conviver com o transtorno ao longo do tempo. No caso de Gross, o uso de medicação, aliado a estratégias de manejo do estresse, permitiu retomar a vida. Médicos destacam que a síndrome do pânico não é uma sentença fixa, sendo possível retornos ao trabalho, à rotina e à felicidade com o tratamento adequado.
A ciência também aponta para causas multifatoriais, incluindo predisposição genética, ambientes familiares e experiências traumáticas. A combinação de terapia, medicação e mudanças no estilo de vida costuma favorecer a recuperação ou, ao menos, a melhoria dos sintomas ao longo do tempo.
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