A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master identificou uma relação próxima entre o senador e ex-líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o ex-sócio da instituição Augusto Ferreira Lima, um dos principais alvos da Operação Compliance Zero.
Segundo relatório tornado público pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores reuniram mensagens, registros de viagens e conversas que, na avaliação da PF, demonstram uma relação de amizade e proximidade entre ambos.
A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master identificou uma relação próxima entre o senador e ex-líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o ex-sócio da instituição Augusto Ferreira Lima, um dos principais alvos da Operação Compliance Zero.
Segundo relatório tornado público pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores reuniram mensagens, registros de viagens e conversas que, na avaliação da PF, demonstram uma relação de amizade e proximidade entre ambos.
O documento afirma que os vínculos entre Wagner e Augusto Ferreira Lima remontam, ao menos, a 2019, quando ambos teriam tratado de temas relacionados à privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e ao programa CredCesta, plataforma de crédito consignado destinada a servidores públicos da Bahia.
De acordo com a PF, esse histórico é apresentado como contexto para a investigação, que posteriormente passou a apurar supostas vantagens indevidas e eventual atuação parlamentar em favor de interesses do Banco Master.
O que as investigações apontam?
Entre os elementos reunidos pela Polícia Federal estão conversas extraídas do celular de Augusto Ferreira Lima. Os investigadores destacam mensagens trocadas em outubro de 2023 nas quais Jaques Wagner aceita um convite para um encontro na chamada “Ilha da Paixão”. Em seguida, Augusto envia ao senador o prefixo de uma aeronave e o horário do deslocamento.
A PF também cita mensagens no grupo de WhatsApp “Família Brahia”, nas quais a esposa de Wagner agradece a hospitalidade e escreve “A gente ama vocês“, recebendo como resposta de Augusto: “Amamos vocês!! Beijo no coração“. Para os investigadores, os diálogos evidenciam uma relação de amizade entre as duas famílias.
Outro trecho do relatório menciona que, em dezembro de 2024, a secretária de Augusto Ferreira Lima enviou uma fotografia de presentes destinados ao senador e a Guilherme Sodré, identificado pela investigação como pessoa próxima de Jaques Wagner. Segundo a PF, os itens incluíam vinhos avaliados entre R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil.
O documento afirma que a proximidade entre os núcleos familiares é considerada relevante para a investigação por envolver pessoas ligadas aos fatos apurados.
A representação encaminhada ao STF sustenta que a relação entre Wagner e Augusto Ferreira Lima teria extrapolado a amizade e passado a envolver supostas vantagens econômicas indevidas e possíveis tratativas relacionadas aos interesses do Banco Master.
Entre essas vantagens, a PF cita o uso gratuito de aeronaves pertencentes aos investigados, ingressos para shows avaliados em mais de R$ 60 mil, a suposta aquisição de um apartamento em Salvador, e pagamentos à BN Financeira Ltda., empresa ligada ao enteado do senador.
A Polícia Federal ressalta, entretanto, que os elementos reunidos constituem indícios utilizados para fundamentar pedidos de medidas cautelares no âmbito da investigação, incluindo o monitoramento de ERBs e o acesso aos registros de chamadas telefônicas dos investigados.
O que diz Jaques Wagner
Após a divulgação dos documentos, Jaques Wagner afirmou que está tranquilo e confiante de que provará sua inocência. Em entrevista à Rádio Baiana FM, nesta sexta-feira (31), o senador declarou: “Tenho certeza de que vou provar minha inocência”.
O senador disse que respeita a atuação das instituições e defendeu o andamento das investigações. “A Polícia Federal que faça o seu trabalho, investigue, proponha ao Ministério Público, o Ministério Público avalie e o magistrado vai julgar”, disse. Ao final, reforçou: “Eu sei o que eu fiz e estou tranquilo.”
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Relembre o caso
A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para apurar um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo o Banco Master, seus executivos e pessoas ligadas à instituição. Entre os principais investigados estão o empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco à época dos fatos apurados, e o ex-sócio Augusto Ferreira Lima. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolver autoridades com foro privilegiado.
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