A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (13), a Operação Arena para investigar um grupo empresarial suspeito de usar empresas e contas no exterior para ocultar a origem e o destino de dinheiro obtido com jogos de azar e apostas esportivas. O advogado Nelson Willians está entre os alvos da investigação.
Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em 14 endereços nos estados da Paraíba, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. As ordens foram autorizadas pela 4ª Vara Federal da Paraíba. A Justiça também determinou a apreensão de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (13), a Operação Arena para investigar um grupo empresarial suspeito de usar empresas e contas no exterior para ocultar a origem e o destino de dinheiro obtido com jogos de azar e apostas esportivas. O advogado Nelson Wilians está entre os alvos da investigação.
O grupo do advogado, o NWADV, foi alvo no mês passado de uma operação do Ministério Público contra fraude no ICMS em São Paulo e no Paraná.
Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em 14 endereços nos estados da Paraíba, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. As ordens foram autorizadas pela 4ª Vara Federal da Paraíba. A Justiça também determinou a apreensão de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.
A Receita Federal participa da operação com 40 servidores, entre Auditores-Fiscais e Analistas-Tributários.

PF cumpre mandado de busca e apreensão em endereço ligado ao advogado Nelson Wilians em SP | Divulgação/PF
Como funcionaria o esquema
Segundo a PF, o grupo teria criado uma estrutura formada por empresas brasileiras e estrangeiras para dar aparência de legalidade às operações relacionadas a apostas de quota fixa e jogos de azar.
A investigação aponta que, embora parte das empresas estivesse registrada no exterior, a gestão das atividades — incluindo decisões administrativas e operacionais — ocorreria, em tese, no Brasil. A estrutura seria usada para fazer parecer que os negócios eram conduzidos a partir de outros países.
As apurações também identificaram empresas constituídas no exterior que teriam sido utilizadas para justificar grandes remessas de dinheiro para fora do país. Segundo a investigação, porém, essas empresas não apresentariam atividades econômicas compatíveis com os valores movimentados.
Para dificultar o rastreamento do dinheiro, o grupo teria recorrido a diferentes mecanismos financeiros, como empresas nacionais e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e outras estruturas.
A PF também encontrou indícios de omissão de rendimentos e de uso de empresas para reduzir ou evitar irregularmente o pagamento de impostos sobre as atividades desenvolvidas.

Infográfico sobre como funcionava o fluxo financeiro do grupo investigado
PixBet e empresa em Curaçao
Segundo informações apuradas pelo G1, a empresa paraibana PixBet é o principal alvo da operação. A investigação também envolve a PixStar, empresa sediada em Curaçao, no Caribe, apontada como uma empresa de fachada. A PF teria identificado pagamentos entre as duas empresas.
Nelson Wilians é suspeito de ser o operador financeiro do grupo investigado. Segundo a investigação, ele ocultava bens obtidos pelos criminosos de maneira ilegal.
Em nota ao Portal Tela, a assessoria de Nelson Wilians afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços advocatícios.
Segundo o escritório, a atuação em defesa dos clientes se limita ao exercício regular da advocacia e não deve ser confundida com as atividades empresariais desenvolvidas por eles.
A NWADV também repudiou qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas aos clientes e destacou a necessidade de preservar o exercício da advocacia, evitando que a atuação profissional seja criminalizada em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa.
Wilians e os outros alvos da operação poderão responder, de acordo com a participação de cada um, por crimes como evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros delitos contra o Sistema Financeiro Nacional.
Apostas já eram exploradas antes da regulamentação
A investigação também apura atividades relacionadas ao mercado de apostas que teriam ocorrido antes da regulamentação das apostas de quota fixa no Brasil.
Segundo a PF, os elementos reunidos indicam que o grupo já atuava no setor e teria utilizado mecanismos para ocultar operações, receitas e os beneficiários finais dos negócios.
A regulamentação das apostas de quota fixa no país passou a estabelecer regras para a atuação das empresas do setor e exigir autorização do governo federal.
Outra operação mira bets no Rio
Também nesta quinta-feira, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou a Operação Aposta Suja, que investiga uma organização criminosa suspeita de explorar ilegalmente o mercado de apostas online e aplicar golpes contra consumidores.
São cumpridos sete mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, por determinação da 3ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa.
Segundo o MPRJ, o grupo operava por meio de diversos sites de apostas, entre eles furiabet.bet, galeradabet.bet, voude.bet, alfagames.bet, pixbr.io, pixdasorte.io, jogadacerta.net, aposteibet.bet, goathbet.com e bravabet.io.
As plataformas, de acordo com as investigações, funcionavam sem autorização do Ministério da Fazenda. Além disso, os responsáveis teriam impedido clientes de sacar valores disponíveis nas contas após os depósitos.
Depois de captar o dinheiro das vítimas, o grupo teria utilizado mecanismos para lavar os recursos, incluindo a conversão em criptoativos, a transferência dos valores para diversas contas e remessas ao exterior. O dinheiro seria posteriormente reinserido na economia formal.
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