A busca por uma renda extra é o principal motivo que leva mulheres brasileiras a apostar em plataformas online, segundo a pesquisa Mulheres & Bets, divulgada nesta segunda-feira (17). O levantamento foi realizado pelo estúdio Clarice, em parceria com a Estratégia Latina e o IDEIA.
Entre as mulheres que apostam, 21,5% afirmam que procuram uma renda adicional. A tentativa de conseguir dinheiro rapidamente aparece em seguida, com 19%, mesmo percentual das que dizem jogar por diversão. Outras 16% apostam para pagar despesas básicas, enquanto 11,5% afirmam ter como objetivo quitar dívidas.
A busca por uma renda extra é o principal motivo que leva mulheres brasileiras a apostar em plataformas online, segundo a pesquisa Mulheres & Bets, divulgada nesta segunda-feira (17). O levantamento foi realizado pelo estúdio Clarice, em parceria com a Estratégia Latina e o IDEIA.
Entre as mulheres que apostam, 21,5% afirmam que procuram uma renda adicional. A tentativa de conseguir dinheiro rapidamente aparece em seguida, com 19%, mesmo percentual das que dizem jogar por diversão. Outras 16% apostam para pagar despesas básicas, enquanto 11,5% afirmam ter como objetivo quitar dívidas.
O recorte sobre maternidade também mostra uma relação entre as apostas e o orçamento familiar. Sete em cada dez apostadoras, ou 72%, têm filhos. Entre as mães, 22,7% afirmam apostar, contra 14,6% das mulheres sem filhos, uma frequência 1,6 vez maior.
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Para Beatriz Della Costa, fundadora e codiretora da Clarice, a promessa de melhorar a situação financeira da família ajuda a explicar a atração das mulheres pelas plataformas.
“As bets jogam com dois imaginários muito fortes. Elas seduzem pela promessa de vida digna — a conta paga, a mesa farta, o presente para os filhos — e também pelo lado cuidado, papel historicamente atribuído às mulheres.”
Mulheres também são afetadas pelas apostas de familiares
A pesquisa mostra que 42% das mulheres brasileiras apostam ou já apostaram. Entre os homens, o percentual é de 56%.
Outras 12% das mulheres afirmam não jogar, mas sofrer consequências das apostas feitas por algum familiar. Entre elas, 24% relatam conflitos familiares e 23,5% apontam perda de confiança como consequências do jogo.
Para Mariana Ribeiro, cofundadora e codiretora da Clarice, os efeitos das apostas não se restringem às pessoas que colocam dinheiro diretamente nas plataformas.
“Quando o Brasil pensa em bets, a imagem que sempre aparece é masculina, mas as mulheres têm um papel fundamental diante deste fenômeno que as atinge, mesmo quando elas não jogam.”
Segundo a pesquisa, 67% das mulheres consideram que as apostas online estão acabando com as famílias brasileiras. Entre os homens, o índice é de 59%.
O levantamento também identificou relatos de violência relacionados às apostas. Em todo o país, 23% dos brasileiros dizem conhecer ou ter presenciado situações em que o jogo contribuiu para episódios de violência dentro da família. No Norte, o percentual chega a 32%.
Entre as mulheres pardas, 26% relatam violência familiar ligada às apostas. O índice é de 21% entre mulheres brancas e também de 21% entre mulheres pretas.
Cassinos online são preferência entre apostadoras
Apesar da associação frequente entre apostas e futebol, os cassinos online são a modalidade mais comum entre as mulheres, mostrou o levantamento. Ao todo, 48% das apostadoras dizem jogar em plataformas de cassino, que incluem roleta, caça-níqueis e o chamado “Tigrinho”.
O futebol aparece em segundo lugar, com 19% das respostas.
As redes sociais e os relacionamentos pessoais também têm papel importante na entrada das mulheres no universo das apostas. Entre as apostadoras, 24% conheceram as plataformas pelas redes sociais, 23% por meio de amigos, 18% por influenciadores e 14% por familiares.
A influência das personalidades das redes sociais é maior entre as mulheres do que entre os homens: 18% delas afirmam ter conhecido as apostas dessa maneira, ante 12% dos homens.
Já a busca direta na internet é mais comum entre os homens, citada por 20%, contra 9% das mulheres.
A divulgação também pode partir das próprias apostadoras. Segundo o levantamento, 37% delas já receberam algum benefício para indicar plataformas a outras pessoas.
Pressão financeira entre mulheres das classes D e E
A situação econômica aparece como outro fator relevante no levantamento. Entre as mulheres das classes D e E, 62% afirmam viver sob pressão financeira constante, com renda que mal cobre os gastos essenciais. Na classe C, o percentual é de 60%.
Entre as mulheres afetadas pelas apostas de familiares, 35% pertencem às classes D e E.
O levantamento também mostra diferenças segundo raça. Ao todo, 69% das pessoas pretas consideram que as apostas estão acabando com as famílias, acima da média geral de 63%.
Vergonha é apontada como barreira para buscar ajuda
Mesmo entre as mulheres que identificam problemas relacionados às apostas, a procura por ajuda ainda é baixa. Apenas 13% das mulheres que apostam ou já apostaram afirmam ter buscado apoio. Outras 9% dizem que chegaram a pensar em pedir ajuda, mas não o fizeram.
Entre as que desistiram de procurar auxílio, 65% apontam a vergonha como motivo. Entre os homens, o percentual é de 50%.
Entre as apostadoras, 20% relatam ter percebido ansiedade desde que começaram a jogar, enquanto 11,5% mencionam depressão. Os dados representam relatos das entrevistadas e, isoladamente, não estabelecem uma relação causal entre as apostas e esses quadros.
62% das mulheres defendem proibição das bets
A preocupação com os efeitos das apostas também aparece nas opiniões sobre a regulamentação do setor. Segundo a pesquisa, 62% das mulheres defendem a proibição das bets no Brasil. Entre os homens, o índice é de 50%. Considerando toda a amostra, 56% são favoráveis à medida.
O apoio à proibição aparece entre eleitores de diferentes grupos políticos. Entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, 62% defendem a medida, enquanto o percentual chega a 56% entre os eleitores de Jair Bolsonaro.
Outras medidas também foram avaliadas. Cerca de 45% apoiam o bloqueio do Pix para apostas entre beneficiários de programas sociais, enquanto 33% demonstram interesse em um canal anônimo de apoio para pessoas afetadas pelo jogo.
O estudo aponta ainda um alto grau de desconhecimento sobre o sistema de autoexclusão de apostadores. Sete em cada dez brasileiros, ou 70%, nunca ouviram falar da ferramenta. Entre as mulheres, o percentual chega a 74%, e nas classes D e E, a 73%.
Apenas 7% dos entrevistados afirmam já ter utilizado o sistema.
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