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Aneel adia decisão sobre possível fim da concessão da Enel em SP

Relatora votou pelo fim da concessão da Enel em SP, mas pedido de vista interrompeu análise da Aneel

Funcionários da Enel trabalham em SP | Divulgação/Enel
Funcionários da Enel trabalham em SP | Divulgação/Enel

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adiou uma decisão sobre a recomendação de caducidade do contrato da distribuidora Enel São Paulo, em processo que começou a ser votado nesta terça-feira (6), mas foi paralisado por pedido de vista do diretor Gentil Nogueira.

A diretora relatora do caso, Agnes da Costa, apresentou mais cedo na reunião desta terça-feira um extenso voto favorável à recomendação de caducidade da concessão da distribuidora paulista ao Ministério de Minas e Energia.

O posicionamento foi acompanhado pela diretora Ludimila Lima, mas o processo de votação foi interrompido pelo pedido de vista apresentado por Nogueira. Ele disse querer aprofundar sua análise sobre o voto da relatora, citando por exemplo recentes apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a necessidade de estudos de alternativas à caducidade.

Em seu voto, Costa rejeitou argumentos que já haviam sido apresentados anteriormente pela Enel.

Ela defendeu que a recomendação de caducidade é o último recurso que a Aneel dispõe para tratar do caso, depois que todos os instrumentos mobilizados nos últimos anos, como planos de resultados firmados consensualmente com a distribuidora e a aplicação de multas milionárias, não foram suficientes para induzir a melhora efetiva na prestação dos serviços.

A diretora ressaltou que a recomendação de caducidade, conforme sua proposta, resulta de um conjunto “robusto e convergente” de elementos técnicos, jurídicos e probatórios reunidos em um longo processo, que contou com consultas à área técnica da agência e à Procuradoria Federal, além de espaço para ampla defesa da distribuidora.

Entre os argumentos rejeitados, Costa apontou, por exemplo, que a Enel vem se utilizando desde 2023 da tese de que tempestades severas “imprevisíveis” afetaram suas operações em São Paulo, ao danificar a rede elétrica devido à queda de árvores, cabos e postes.

Segundo a relatora, ao mobilizar esse mesmo argumento por anos, a empresa buscou “esquivar-se de responsabilidades na ocorrência de eventos climáticos de maior magnitude, ao invés de enfrentá-los, mesmo sabendo que ocorrem com certa frequência”.

Defesa da Enel

Durante a reunião da Aneel nesta terça-feira, um porta-voz da Enel apresentou novamente a defesa da empresa no caso. Entre os pontos destacados, estão um aumento de 70% dos investimentos na concessão paulista, a melhora dos tempos de atendimentos emergenciais e a falta de análise e comprovação de que a caducidade é a alternativa mais vantajosa para os consumidores e para a prestação dos serviços.

Também apresentaram manifestações em defesa da Enel sindicatos de trabalhadores do setor, como o dos eletricitários, e 22 prefeitos dos 24 municípios da região metropolitana de São Paulo atendidos pela distribuidora. A capital paulista, governada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), que vinha defendendo a saída da empresa da concessão, não foi citada nesse grupo de defesa.

Os serviços de distribuição de energia da Enel no Brasil têm estado sob forte escrutínio público desde o fim de 2023, quando concessionárias da empresa levaram dias para restabelecer a energia aos consumidores após eventos climáticos extremos. Situações similares nos anos seguintes agravaram o problema da companhia italiana no Brasil.

Com uma base de mais de 8 milhões de consumidores, a distribuidora paulista é a maior do portfólio da Enel no Brasil, onde opera ainda no Ceará e Rio de Janeiro. As três empresas da Enel têm concessões vencendo até meados de 2028, e as potenciais renovações desses contratos por mais 30 anos ainda estão pendentes.

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