O Brasil manteve praticamente inalterado seu desempenho no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) em 2025 e continua entre os países com os resultados mais baixos da avaliação internacional.
O desempenho dos estudantes brasileiros ficou abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em matemática, leitura e ciências e também foi inferior ao de outros países latino-americanos, como Chile, Uruguai, Costa Rica, Colômbia e México.
O levantamento, divulgado nesta terça-feira (8) pela OCDE, avaliou cerca de 760 mil estudantes de 15 anos em 91 países e economias. No Brasil, participaram 30.140 alunos de 1.053 escolas, representando aproximadamente 2,18 milhões de estudantes da mesma faixa etária.
A principal característica do resultado brasileiro é a estagnação. As médias de 2025 foram praticamente as mesmas de 2022 nas três áreas avaliadas. Mais do que isso, a OCDE aponta que os resultados do país permanecem próximos dos níveis registrados em todas as edições do Pisa desde 2015.
O Brasil obteve 409 pontos na média geral, ficando atrás de países latino-americanos como Costa Rica, com 424 pontos, Colômbia e México, ambos com 414. Uruguai e Chile também tiveram desempenho superior ao brasileiro.
Brasil fica abaixo da média da OCDE nas três áreas
Em matemática, apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência, considerado o patamar mínimo de conhecimento. Na média dos países da OCDE, esse percentual chega a 65%.
Em leitura, 49% dos estudantes brasileiros atingiram o nível 2 ou superior, contra 69% na média da OCDE. Em ciências, foram 48%, enquanto a média da organização ficou em 74%.
O baixo desempenho também aparece no topo da escala. Apenas 1% dos estudantes brasileiros atingiu os níveis 5 ou 6 em ciências, contra 7% na média da OCDE. Em leitura, somente 1% chegou ao nível 5 ou superior, ante 6% na organização.
Em matemática, a situação é ainda mais crítica: quase nenhum estudante brasileiro atingiu os níveis 5 ou 6, enquanto a média da OCDE é de 8%.
Desigualdade aumenta entre alunos ricos e pobres
Além do baixo desempenho médio, o Pisa revela uma forte desigualdade dentro do próprio sistema brasileiro.
Os 25% de estudantes brasileiros mais favorecidos socioeconomicamente tiveram desempenho 96 pontos superior ao dos 25% mais desfavorecidos em ciências. A diferença média entre esses grupos nos países da OCDE é de 85 pontos.
A distância também aumentou na última década. Entre 2015 e 2025, a diferença de desempenho em ciências entre os estudantes mais favorecidos e os mais pobres cresceu no Brasil. No mesmo período, a distância média entre esses grupos diminuiu nos países da OCDE.
Segundo a organização, o nível socioeconômico respondeu por 16% da variação do desempenho em ciências no Brasil, contra 12% na média da OCDE.
Desempenho mundial também piorou
Os resultados brasileiros ocorrem em meio a uma piora global da aprendizagem. A própria OCDE registrou em 2025 o pior desempenho médio de sua história em matemática e leitura. Entre os países da organização, a pontuação média em leitura caiu 28 pontos entre 2015 e 2025, enquanto matemática recuou 22 pontos no mesmo período.
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