A Polícia Federal (PF) passou a atuar em dois casos de crianças desaparecidas no Brasil que envolvem pedidos de cooperação internacional com a Interpol.
Os casos incluem Edson Davi da Silva Almeida, desaparecido no Rio de Janeiro em janeiro de 2024, e a dos irmãos Ágatha Isabelly Reis Lago e Allan Michael Reis Lago, desaparecidos em Bacabal, no Maranhão, no início deste ano.
Caso Edson Davi
A Polícia Federal informou que encaminhará à Interpol, nesta quarta-feira (9), um pedido para incluir Edson Davi na Difusão Amarela (Yellow Notice), mecanismo utilizado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas, inclusive fora do país.
O pedido foi iniciado após a mãe do menino procurar a PF. Segundo a corporação, o Núcleo de Cooperação Policial Internacional da PF no Rio de Janeiro deu andamento aos procedimentos necessários para formalizar a solicitação junto à Interpol.
A organização internacional será responsável por analisar as informações e decidir sobre a publicação e o compartilhamento do alerta com os países-membros.
A família de Edson Davi também solicitou que sejam realizadas consultas para verificar informações relacionadas a crianças localizadas em operação recente contra tráfico humano, nos Estados Unidos.
No entanto, a Polícia Federal informou que nenhuma criança brasileira está entre as 163 localizadas por autoridades americanas na Flórida, durante a Operação Statewide Shield.
“A PF ressalta que, de acordo com autoridades norte-americanas, nenhuma criança brasileira está entre as 163 localizadas nos Estados Unidos recentemente, no âmbito da Operação Statewide Shield”, destacou a corporação.
Edson Davi desapareceu em 4 de janeiro de 2024, na Praia da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. Na época, ele estava com o pai, que trabalhava em uma barraca na praia.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro concluiu que a hipótese mais provável era de afogamento, após testemunhas relatarem que o menino foi visto próximo ao mar. A família contesta essa versão e defende a continuidade das buscas e das investigações.
Caso das crianças desaparecidas em Bacabal
No Maranhão, a Interpol também passou a auxiliar nas investigações sobre o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, em Bacabal. A mãe das crianças, Clarice Cardoso, esteve nesta quarta-feira (9) na sede da Polícia Federal, em São Luís, acompanhada da advogada da família, Nathaly Moraes.
Durante o atendimento, foi realizada a coleta de material genético de Clarice e, segundo a advogada, a Interpol colocou as suas ferramentas à disposição da família. O procedimento será utilizado para uma possível comparação com o material genético de uma criança localizada nos Estados Unidos que, segundo a mãe, apresenta características semelhantes às de Allan Michael.
A advogada afirmou que existe um indício vindo dos Estados Unidos, mas ressaltou que somente o exame genético poderá confirmar ou descartar a possibilidade de a criança ser Allan. Segundo Nathaly, os filhos de Clarice não tinham documentos de identidade e, por isso, não havia dados genéticos deles cadastrados nas bases consultadas.
A expectativa é que o material coletado da mãe seja utilizado no procedimento de comparação. Caso haja compatibilidade, poderão ser adotadas medidas para a identificação e eventual localização da criança.
“A partir de agora, a Interpol está nos auxiliando. Abriu o procedimento, nóscolocamos todas as autorizações para que a Interpol possa fazer essa ponte porque, até então, nós estávamos sozinhos. E agora, a gente tem um apoio muito grande”, explicou a advogada.
Outra linha de investigação para Ágatha
Em relação a Ágatha Isabelly, a advogada afirmou que existe uma outra linha de investigação sobre o possível paradeiro da menina.
“Há uma outra linha de investigação que leva à localização da Ágatha em um outro local, cujas informações não podem ser repassadas nesse momento”, afirmou Nathaly.
Ágatha, de 6 anos, e Allan, de 4, desapareceram em janeiro deste ano após saírem para brincar na comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. Um primo que estava com os irmãos foi encontrado três dias depois.
“Eu sempre falei nas minhas entrevistas que o coração de mãe não engana. E o meu sempre fala que meus filhos estão vivos. Eu entreguei nas mãos de Deus. Ele vem me sustentando até aqui, me dando força para eu lutar pelos meus filhos”, declarou a mãe sobre as atualizações.
O que é a Difusão Amarela?
A Difusão Amarela é um mecanismo da Interpol utilizado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas, inclusive quando há possibilidade de que estejam em outro país.
Após o encaminhamento das informações pela autoridade policial competente, cabe à própria Interpol analisar o caso e decidir sobre a publicação e o compartilhamento do alerta com os países integrantes da organização.
Já a Difusão Azul permite solicitar informações adicionais sobre uma pessoa relacionada a uma investigação.
+ Agência da ONU aprova resolução que leva Irã ao Conselho de Segurança
+ Trump diz que guerra com Irã acabará após eleições nos EUA
Entre na conversa da comunidade