A Meta começou nesta quarta-feira (9) a testar as chamadas Notas da Comunidade em 16 países de língua espanhola da América Latina. A iniciativa é uma etapa do plano para substituir o programa de checagem profissional realizado por organizações parceiras no Facebook, Instagram e Threads.
Inspirado no sistema usado pelo X, de Elon Musk, o recurso permite que usuários acrescentem contexto a publicações consideradas enganosas. A Meta pretende adotar as Notas da Comunidade como seu principal modelo de contextualização de conteúdo, eliminando a necessidade do programa de verificação de fatos.
A empresa não informou quando essa mudança será concluída. Segundo a Meta, a implementação integral ocorrerá apenas quando houver confiança de que o produto funciona.
Usuários dos 16 países podem se cadastrar como colaboradores a partir desta quarta-feira. Durante os testes, porém, nenhuma nota ficará visível ao público, e a checagem independente continuará sem alterações.
A fase inicial inclui Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
O Brasil, maior mercado da região para as plataformas da Meta, ficou fora do teste por ser um país de língua portuguesa.
Rede internacional critica decisão da Meta
Angie Drobnic Holan, diretora da International Fact-Checking Network, principal rede mundial de organizações de checagem, afirmou estar “profundamente preocupada” com a decisão.
“O programa de notas da comunidade, por si só, simplesmente não é suficiente para reduzir o impacto de informações falsas prejudiciais nas plataformas de mídia social”, disse Holan.
Notas da Comunidade têm 1,4 milhão de colaboradores nos EUA
A Meta informou nesta quarta-feira que as Notas da Comunidade nos Estados Unidos já reúnem mais de 1,4 milhão de colaboradores, responsáveis por mais de 50 mil publicações no Facebook, Instagram e Threads.
Em setembro do ano passado, a empresa havia apresentado um volume bem menor. Cerca de 70 mil colaboradores tinham produzido 15 mil notas, das quais apenas aproximadamente 6% foram publicadas.
Em março, o Conselho de Supervisão da Meta, órgão quase independente financiado pela companhia para analisar decisões de moderação, alertou que as Notas da Comunidade não substituem adequadamente a checagem profissional fora dos Estados Unidos.
Segundo o conselho, a adoção mundial do sistema pode causar violações de direitos humanos em países politicamente polarizados e durante eleições marcadas por tensão.
Phil Chetwynd, diretor global de notícias da AFP, afirmou que as equipes de verificação da agência na região realizaram um “excelente trabalho” durante oito anos, trabalho que, segundo ele, recebeu elogios da própria Meta.
“Pesquisas confiáveis sugerem que as notas da comunidade só são eficazes quando os colaboradores podem confiar em jornalismo preciso, produzido de forma ética e com fatos verificados, além de outras fontes de alta qualidade, ao redigir suas notas.”, afirmou. “A verificação de fatos e as notas da comunidade devem andar de mãos dadas. O que importa é a qualidade das notas, não a quantidade.”
Brasil se prepara com checagem de fatos para as Eleições
No Brasil, o ano de 2026 é marcado pelas eleições, que definirão, entre outros cargos, o presidente da República. O DataSenado constatou que 72% dos usuários de redes sociais haviam visto notícias que suspeitavam ser falsas nos seis meses anteriores à pesquisa, de junho de 2024. Isso corresponde a aproximadamente 113 milhões de pessoas, ou 67% da população brasileira com 16 anos ou mais, segundo as estimativas do levantamento.
Em meio a um período marcado por informações geradas por inteligência artificial e fake news, diversos movimentos de checagem de fatos estão em atuação.
O Projeto Comprova é um dos principais. Liderado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação. As redações investigam conteúdos suspeitos e revisam o trabalho umas das outras: a publicação exige concordância de pelo menos três redações parceiras sobre a apuração e suas conclusões.
O Comprova tem orçamento próprio e gestão compartilhada entre a Abraji e os veículos participantes. Em anos anteriores, contou com apoio financeiro de empresas como Google, Meta e WhatsApp, destinado à equipe, bolsas, treinamento e tecnologia.
(Com informações da AFP)
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