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Jovem fica com sequelas após andar em montanha-russa do Hopi Hari

Ministério Público pediu à Polícia Civil perícia técnica no carrinho da Montezum e apura possível lesão corporal culposa

Montezum é a maior montanha-russa de madeira da América Latina (Foto: Divulgação/Hopi Hari)

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu à Polícia Civil uma perícia técnica no carrinho e na estrutura da Montezum, montanha-russa do Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo, para apurar as circunstâncias em que Julia Rimoli Bossoni, de 28 anos, sofreu um grave traumatismo cranioencefálico após andar na atração.

O episódio ocorreu em 20 de abril. Julia convulsionou ao fim do percurso, precisou ser submetida a uma cirurgia de emergência e ficou com sequelas neurológicas.

Ela e o marido, João Pedro Bossoni Dionisio, haviam passado o dia no parque e já tinham ido à Montezum uma vez, sem problemas. No fim da tarde, decidiram voltar à montanha-russa depois de conseguirem uma passagem VIP que permitia evitar a fila.

Quando o carrinho retornou do percurso, Julia estava inconsciente e convulsionando. Em depoimento à Polícia Civil, João afirmou que só percebeu o estado da mulher quando a montanha-russa parou.

Segundo ele, o socorro levou entre cinco e dez minutos para chegar. Julia foi levada inicialmente ao ambulatório do parque e, depois, encaminhada de ambulância à Santa Casa de Vinhedo. A atração continuou funcionando depois do episódio.

Em entrevista ao Fantástico, o marido descreveu o momento como uma “cena de terror”.

Os primeiros exames identificaram hemorragia intracraniana e edema cerebral, e Julia precisou passar às pressas por uma craniectomia descompressiva, procedimento em que uma parte do crânio é retirada temporariamente para permitir que o cérebro tenha espaço para inchar.

O neurocirurgião Victor Batistela, que acompanha o caso, explicou ao Fantástico que movimentos bruscos de aceleração, desaceleração e rotação do crânio podem provocar a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais mesmo sem uma pancada direta na cabeça.

Segundo laudo médico apresentado pela família e mostrado pela reportagem, o traumatismo sofrido por Julia foi provocado por um mecanismo de contragolpe durante a passagem pela montanha-russa.

Julia permaneceu 57 dias internada em Vinhedo. Atualmente, ainda enfrenta consequências do trauma. Em depoimento prestado à polícia em agosto, o marido relatou perda dos movimentos do lado esquerdo do corpo, além de dificuldades de fala e problemas de memória.

MPSP pede perícia na atração

A investigação passou a apurar a eventual prática de lesão corporal culposa no caso. Nesse contexto, em 24 de agosto, a Promotoria de Justiça de Vinhedo pediu novas diligências para esclarecer as circunstâncias do episódio.

Entre as medidas, o MPSP solicitou que o Instituto de Criminalística faça uma perícia técnica no carrinho utilizado por Julia e na estrutura da Montezum, com análise das condições de manutenção e funcionamento da atração e da existência de eventuais falhas de segurança, defeitos ou riscos estruturais.

Os peritos também deverão avaliar se alguma falha ou evento durante o funcionamento da montanha-russa poderia ter provocado lesões como as sofridas pela jovem.

A Promotoria pediu ainda que os prontuários e exames médicos de Julia sejam encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exame de corpo de delito indireto, que deverá apontar a natureza, a extensão e a gravidade das lesões.

Imagens da Montezum também são alvo da investigação

Outro ponto que passou a ser investigado é a existência de imagens do percurso feito por Julia.

Logo após o registro da ocorrência, a Polícia Civil pediu ao Hopi Hari as gravações das câmeras da Montezum entre 16h30 e 17h30 do dia do episódio, além de registros do atendimento médico prestado à jovem.

O parque informou que não possuía imagens do trecho do percurso considerado relevante para a investigação. A família, no entanto, afirmou que a Montezum conta com um sistema que fotografa passageiros durante a descida e vende as imagens na saída da atração.

Diante da divergência, o MPSP pediu que o Hopi Hari seja novamente oficiado para explicar detalhadamente como funciona o sistema de fotografias comerciais, informar se houve registro de Julia naquele dia e, caso a imagem tenha sido descartada ou não tenha sido produzida, explicar o motivo.

A defesa da família também solicitou uma diligência presencial na Montezum para identificar câmeras, sensores e equipamentos de fotografia existentes ao longo do percurso, além dos sistemas utilizados para armazenar esses registros. O pedido foi reiterado nos autos em 3 de setembro.

O que diz o Hopi Hari

Em nota, o Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional do Grupo TÜV Nord, passa por inspeções anuais e segue a norma brasileira ABNT NBR 15926-2023, voltada à segurança de equipamentos de parques de diversão.

O parque também disse que placas, avisos sonoros e orientações dos operadores informam os visitantes sobre as características, recomendações e restrições da atração.

Segundo o Hopi Hari, Julia utilizou a Montezum duas vezes no mesmo dia: a primeira por volta das 11h e a segunda, quando ocorreu o episódio, aproximadamente às 16h30. O parque afirma que ela recebeu pronto atendimento, foi levada ao ambulatório e posteriormente encaminhada à Santa Casa de Vinhedo.

A empresa diz ainda que acompanhou o tratamento da jovem, manteve contato com a família, custeou despesas durante a permanência em Vinhedo e disponibilizou o seguro do parque.

A Montezum foi inaugurada em 1999, tem 42,2 metros de altura, cerca de 1,2 quilômetro de extensão e pode atingir 103 km/h. Segundo o Hopi Hari, aproximadamente 470 mil pessoas utilizaram a atração desde janeiro deste ano.

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