Mais de 6 milhões de pessoas tinham a própria casa como principal local de trabalho em 2025. O dado foi divulgado pelo IBGE por meio da Pnad Contínua nesta quarta-feira (23).
Essa pesquisa, porém, não considera os 103 milhões de ocupados no país. Isso acontece porque o levantamento sobre o local de trabalho não inclui empregados do setor público nem trabalhadores domésticos. Nesse recorte, são consideradas cerca de 84,6 milhões de pessoas.
Home office continua em queda
A parcela de trabalhadores que tinham o próprio domicílio como principal local de trabalho permaneceu em 7,9% entre 2024 e 2025. Em 2012, no início da série, eram 3,6%. Em 2019, antes da pandemia, o percentual era de 5,8%.
Em 2022, primeiro ano com dados disponíveis depois da interrupção da coleta em 2020 e 2021, a proporção chegou a 8,4%, o maior resultado da série. O avanço ocorreu devido a expansão do trabalho remoto durante a pandemia de Covid-19. Depois disso, o percentual caiu para 8,2% em 2023 e para 7,9% em 2024 e 2025.
Mesmo abaixo do pico registrado em 2022, a parcela de pessoas que trabalhavam principalmente em casa em 2025 ainda estava 2,1 pontos percentuais acima do nível de 2019.
A diferença entre homens e mulheres também foi alta, com 12,5% das mulheres participantes da pesquisa tinham o domicílio como principal local de trabalho em 2025, mais que o dobro da proporção registrada entre os homens, de 5,0%.
Nordeste na linha de frente do home office
No recorte por estado, o Ceará aparece na liderança entre as maiores proporções de pessoas trabalhando no próprio domicílio, com 10,7%, seguido pelo Distrito Federal, com 10,6%, e pelo Rio de Janeiro, com 10,1%. Em São Paulo, a proporção foi de 8,1%. Na outra ponta estavam Acre, com 3,6%, Rondônia, com 4,1%, e Mato Grosso, com 4,5%.
O mesmo levantamento mostra diferenças ainda maiores entre as capitais, com Porto Alegre registrando a maior taxa de trabalhadores em home office, de 18,7%. Depois aparecem Recife, com 15,4%, e Belo Horizonte, com 15,2%. São Paulo registrou 9,3%, enquanto Porto Velho teve a menor proporção, com 4,2%.
O IBGE considera qual é o principal local em que a pessoa exerce sua atividade. Por isso, os números não mostram separadamente todos os trabalhadores que atuam de forma híbrida. Uma pessoa que trabalha três dias por semana em casa e dois em um estabelecimento, por exemplo, pode ser considerada como alguém que tem o domicílio como principal local de trabalho. Já quem passa quatro dias no estabelecimento e apenas um em casa será classificado como trabalhador presencial.
Apesar da presença do trabalho em casa, o estabelecimento do próprio empreendimento, mais conhecido como o presencial, continuou sendo, de longe, o local mais comum de trabalho. Em 2025, 60,2% dos ocupados abrangidos pelo indicador trabalhavam nesse tipo de local, antes 59,4% em 2024. Outros 13,8% trabalhavam em algum local designado pelo empregador, 8,4% em fazenda, sítio, granja ou chácara e apenas 7,9% no próprio domicílio.
Mercado de trabalho
O mercado de trabalho brasileiro chegou em 2025 à maior população empregada desde o início da série histórica, em 2012. Cerca de 103 milhões de pessoas estavam trabalhando, crescimento de 1,7% em relação a 2024.
O levantamento também analisou a formalização entre empregadores e trabalhadores por conta própria. Em 2025, essas duas categorias somavam 30,6 milhões de pessoas, com 35,0% trabalhando em empreendimentos registrados no CNPJ. Esta foi a maior proporção desde o início da série, em 2012, quando eram 24,0%. Entre os trabalhadores por conta própria, a cobertura do CNPJ chegou a 27,1%, e entre os empregadores, alcançou 81,1%.
Nesse processo de formalização, também foram observadas diferenças por sexo e escolaridade. Entre as mulheres, 36,7% estavam em empreendimentos com CNPJ, contra 34,2% dos homens. Já trabalhadores por conta própria com ensino superior completo, a cobertura chegou a 50,8%, enquanto aqueles sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, ficaram em 11,1%.
O recorte regional reforça essas diferenças, onde no Sul, 46,7% dos empregadores e trabalhadores por conta própria estavam em empreendimentos com CNPJ. Sudeste e Centro-Oeste registraram 41,6% cada, enquanto as proporções foram de 20,1% no Nordeste e 15,6% no Norte.
Já a taxa de sindicalização teve pouca mudança, com 9,1 milhões de pessoas ocupadas associadas a sindicatos em 2025, o equivalente a 8,8% da população ocupada, antes 8,9% em 2024. Em 2012, a taxa era de 16,1%, o que representa uma queda de 7,3 pontos percentuais ao longo da série.
Entre na conversa da comunidade