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Delator do caso Banco Master declara ter ganho 570 vezes na loteria

Antonio Freixo aparece como "ganhador" de prêmios e apostas que, somadas, chegam ao valor de R$ 176,4 milhões

Antonio Freixo é um dos alvos da Operação Carbono Oculto | Foto: Reprodução / Entrepay
Antonio Freixo é um dos alvos da Operação Carbono Oculto | Foto: Reprodução / Entrepay

O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, aparece como “ganhador” em 570 comunicações relacionadas a prêmios e apostas entre janeiro de 2020 e junho de 2025. Os registros somam R$ 176,4 milhões, de acordo com documentos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) em uma investigação de lavagem de dinheiro, parte da Operação Carbono Oculto.

+Ex-diretor do Genial e delator do Master são alvos da Operação Carbono Oculto

Freixo ficou conhecido nas investigações do Banco Master após fechar um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República.

A 2ª Vara Criminal de Catanduva autorizou medidas cautelares pedidas pelo Ministério Público de São Paulo. No documento, obtido pelo Portal Tela, o juiz Sandro Nogueira de Barros Leite registra que relatórios de inteligência financeira apontam Freixo como ganhador nas 570 comunicações, além de outras movimentações consideradas atípicas pelos investigadores.

Os autos citam movimentações com empresas como Loteria dos Milhões, Lotérica São Cristóvão, Suenaga Loterias e Caixa Loterias, além de instituições de pagamento. Elas não são investigadas e não fazem parte do suposto esquema.

Freixo é ligado ao Grupo Entre Investimentos. O GAECO afirma que o grupo mantinha elevado volume de movimentações com lotéricas e sustenta que a recorrência dos registros de Freixo como ganhador é um dos elementos que levantaram suspeitas sobre a origem e o destino dos recursos.

Segundo o Ministério Público, a movimentação com prêmios e apostas faria parte de uma estrutura financeira investigada por possível lavagem de dinheiro. O órgão afirma que o mecanismo poderia funcionar com o envio de recursos para apostas e posterior retorno dos valores sob a aparência de ganhos.

A investigação aponta que as contas pessoais de Freixo registraram cerca de R$ 71 milhões em créditos e R$ 128 milhões em débitos considerados atípicos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Entre os setores com maior volume de transações aparecem empresas de consultoria em gestão empresarial e casas lotéricas. Segundo o documento, foram identificados R$ 633,2 mil em créditos e R$ 7,9 milhões em débitos relacionados a lotéricas.

Um episódio destacado pelo GAECO envolve uma aposta de R$ 83,1 mil feita por Patrick Saulo Alves Lacerda, descrito no documento como funcionário e cliente da Caixa, e o posterior encaminhamento de um prêmio de R$ 2.389,33 para uma conta da Cactus Assessoria e Serviços, empresa ligada a Freixo. Os investigadores classificam o episódio como uma “triangulação que chamou a atenção”.

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