Os trabalhadores dos Correios em São Paulo aprovaram o fim da greve em assembleia realizada na noite de quinta-feira (24), horas depois de o Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconhecer que a paralisação não foi abusiva.
O Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de São Paulo (SINTECT-SP) orientou a categoria a retomar as atividades a partir das 22h do mesmo dia, conforme determinado pelo tribunal.
A greve havia começado em 10 de setembro, após o impasse nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). O principal ponto de divergência era o plano de saúde de trabalhadores, aposentados e dependentes.
Tribunal decide que greve dos Correios não é abusiva e paralisação é mantida
No julgamento do dissídio coletivo, o TST fixou reajuste salarial de 4,09% e preservou 73 cláusulas do acordo coletivo, de acordo com o sindicato. Os dias parados serão compensados com reposição de horas, sem desconto nos salários.
O plano de saúde também foi analisado pelos ministros, mas o texto aprovado pelo tribunal ainda não foi divulgado. O SINTECT-SP informou que aguarda a publicação da decisão completa para apresentar os detalhes à categoria e que seu departamento jurídico vai examinar o documento.
A relatora do caso, ministra Maria de Nazaré Medeiros Rocha, votou pela legalidade do movimento e manteve a data-base da categoria. A maioria dos ministros acompanhou o voto.
Os Correios haviam recorrido à Justiça um dia após o início da paralisação. A empresa pedia que a greve fosse declarada abusiva, que os serviços fossem mantidos e que fosse aplicada multa de R$ 100 mil.
O julgamento começou na segunda-feira (21), mas foi suspenso para que as entidades sindicais pudessem analisar novos documentos apresentados pela estatal. A sessão foi retomada na quinta.
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Impasse sobre o plano de saúde
A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) afirma que as demais cláusulas avançaram nas negociações e que o plano de saúde era o principal obstáculo para fechar o acordo.
Os trabalhadores defendem manter o modelo atual, no qual os Correios são os mantenedores do plano. Segundo a federação, uma alteração poderia elevar os custos das famílias com o benefício, e o tema afeta mais de 170 mil trabalhadores, aposentados e dependentes.
Durante a greve, os Correios afirmaram que as agências continuaram abertas. A empresa disse ter deslocado funcionários administrativos para reforçar as operações e organizado mutirões de entrega para reduzir os efeitos da paralisação.
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