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Brasil investe por aluno menos de um terço da média da OCDE

Gasto brasileiro é de pouco mais de US$ 4 mil por estudante, enquanto a médida dos países da organização é de US$ 13 mil

Brasil gasta menos por aluno do que média da OCDE | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Brasil gasta menos por aluno do que média da OCDE | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Brasil gasta cerca de 70% menos por aluno em educação do que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Dados do estudo Education at a Glance 2026, divulgado pela entidade nesta terça-feira (29), mostram que o gasto público brasileiro, considerando do ensino primário ao superior, foi de US$ 4.133 (R$ 21.562 na cotação atual) por estudante em 2023, em valores corrigidos pela paridade do poder de compra (PPC). Na média da OCDE, foram US$ 13.601 (R$ 70.959).

O Brasil não é membro da OCDE, mas aparece no estudo como país parceiro — assim como Argentina, África do Sul, China, Índia, Peru, Tailândia, dentre outros.

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A diferença aparece em todas as etapas da educação. Do ensino primário ao pós-secundário não superior, o Brasil desembolsa US$ 4.294 (R$ 22.402) por aluno, contra US$ 13.231 (R$ 69.028) na OCDE. No ensino superior, a distância é ainda maior: US$ 3.539 (R$ 18.463) por estudante no Brasil, pouco mais de um quinto dos US$ 15.960 (R$ 83.266) registrados na média da organização.

Na educação infantil, o gasto governamental brasileiro também fica bem abaixo. São US$ 4.491 (R$ 23.430) por criança, contra US$ 11.988 (R$ 62.543) na média da OCDE — diferença superior a 60%.

O baixo valor por estudante ocorre mesmo com o Brasil destinando uma parcela do Produto Interno Bruto (PIB) à educação semelhante ou superior à média internacional. O gasto governamental com instituições de ensino, do primário ao superior, corresponde a 4,4% do PIB brasileiro, ante 3,9% na média da OCDE. No ensino superior, porém, o Brasil destina 0,8% do PIB, ante 0,9% da organização.

Os dados indicam, portanto, que a parcela do PIB destinada à educação não se traduz em gasto elevado por estudante no Brasil. O relatório também mostra diferenças na distribuição dos recursos dentro das instituições: cerca de 74% dos gastos brasileiros são destinados à remuneração de funcionários, ante 66% na média da OCDE. Outros 22% vão para despesas correntes e aproximadamente 5% para investimentos de capital. A OCDE registra, respectivamente, 24% e 9%. Parte dos dados brasileiros desta comparação é classificada como parcial pelo estudo.

Gráfico compara o investimento brasileiro ao médio da OCDE

Gráfico compara o investimento brasileiro ao médio da OCDE

Brasil tem menos adultos com ensino superior

A diferença de investimento ocorre em um país que ainda apresenta níveis de escolaridade muito inferiores aos da OCDE. Entre os brasileiros de 25 a 64 anos, apenas 22% concluíram o ensino superior, contra 43% na média da organização.

Ao mesmo tempo, 38% dos adultos brasileiros não chegaram a concluir o ensino médio, mais que o dobro dos 18% registrados na média da OCDE. Outros 40% têm o ensino médio ou uma formação pós-secundária não superior como maior nível de escolaridade.

Entre os mais jovens, houve avanço, mas a distância permanece. Entre os homens brasileiros de 25 a 34 anos, a proporção com ensino superior passou de 16% para 20% entre 2016 e 2024. Entre as mulheres, subiu de 22% para 28%. Na média da OCDE, os percentuais mais recentes são de 41% entre os homens e 54% entre as mulheres.

Diploma superior pesa mais no salário brasileiro

Apesar da menor proporção de formados, o retorno financeiro do ensino superior é muito maior no Brasil.

Trabalhadores brasileiros de 25 a 34 anos com diploma de ensino superior recebem, em média, 104% a mais que pessoas da mesma faixa etária com ensino médio ou formação pós-secundária não superior. Entre todos os trabalhadores de 25 a 64 anos, a diferença chega a 138%.

Na OCDE, o ganho médio associado ao ensino superior é de 38% entre os jovens e 54% entre os trabalhadores de 25 a 64 anos.

O diploma também está associado a taxas menores de desemprego. Entre brasileiros de 25 a 34 anos com ensino superior, o índice era de 4% em 2024. Entre aqueles que não concluíram o ensino médio, chegava a 9%. Na média da OCDE, o desemprego entre jovens com formação superior era de 5%.

País enfrenta problema de retenção de professores

O levantamento também aponta dificuldades na carreira docente brasileira. Cerca de 9% dos professores do ensino primário e secundário não possuem todas as qualificações exigidas, praticamente o mesmo percentual observado na referência europeia apresentada na tabela. No ensino secundário brasileiro, o índice chega a 10,5%, ante 6,8% no primário.

O problema mais evidente, porém, aparece na permanência dos profissionais. No Brasil, 10,3% dos professores plenamente qualificados do ensino primário e secundário deixaram a profissão, contra 6,4% na média da OCDE. Na educação pré-primária, a proporção brasileira chega a 10,6%, ante 8,6%. Para o Brasil, esses dados têm 2022 como ano de referência.

A pesquisa também mostra menor percepção de valorização e satisfação profissional. Apenas 14,1% dos professores brasileiros do ensino secundário inferior afirmam que a profissão docente é valorizada pela sociedade, contra 21,7% na média da OCDE.

Quando o tema são as condições de emprego, excluindo os salários, apenas 44,3% dos brasileiros dizem estar satisfeitos, ante 68,4% na organização. Com a remuneração, a satisfação cai para 22,3% no Brasil, contra 38,7% na média. Além disso, 63,5% dos professores brasileiros analisados possuem contrato permanente, enquanto a proporção é de 80,7% na OCDE.

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