O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participou neste sábado (3) de uma caminhada com apoiadores na região da avenida Paulista, em São Paulo. O evento foi o último ato de campanha antes do primeiro turno do pleito, que será realizado no domingo (4), e também contou com o candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB), a primeira-dama, Janja Silva, o candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e as candidatas ao Senado pelo estado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
Lula discursou a bordo de um carro de som que desceu a rua Augusta, a partir da Paulista, em direção à Praça Roosevelt, no centro da capital, no final da manhã.
“Vamos às urnas amanhã sabendo que o que está em jogo, de um lado, é a democracia e a soberania; do outro lado, a barbárie e a corrupção. Do outro lado, estamos trabalhando com chefes de quadrilha e o crime organizado.”, afirmou
Segundo pesquisa CNT/MDA divulgada mais cedo, Lula tem 43,1% das intenções de voto no primeiro turno, contra 38% de Flávio Bolsonaro (PL). O filho de Jair Bolsonaro (PL) participava de uma carreata no interior paulista enquanto Lula falava na capital.
Em seu último evento de campanha neste primeiro turno, o petista queria repetir o caminho que percorreu em 2022, quando retornou ao cargo de presidente da República após derrotar Jair Bolsonaro. Na ocasião, o petista usou a principal avenida da capital de São Paulo para realizar o último ato de campanha antes do segundo turno, mas o ato deste sábado percorreu a Augusta, única rua autorizada para receber o evento.
Durante a semana, o Partido dos Trabalhadores acusou a gestão de Ricardo Nunes (MDB) de tentar impedir a caminhada, apesar de comunicação prévia do partido aos órgãos públicos responsáveis pela administração das vias da cidade. Uma decisão do TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral), na quinta-feira (1), suspendeu o ofício da prefeitura que impedia o ato e autorizou o comício.
Mesmo com a decisão judicial, houve tensão antes do início da caminhada. Por volta das 10h50, integrantes da equipe de Lula acusaram agentes da Polícia Militar de tentar impedir a saída do ato. Houve um princípio de confusão entre policiais e membros da campanha. Pouco depois, os PMs deixaram o local sob vaias de parte do público.
Apesar do episódio, a caminhada começou por volta das 11h. Lula repetiu a estratégia adotada em outros atos da campanha e percorreu o trajeto em carro aberto, acompanhado dos candidatos de sua chapa, e próximo aos apoiadores.
Fernando Haddad foi o primeiro a discursar e criticou Ricardo Nunes, a quem responsabilizou pela tentativa de impedir o evento.
“O nosso sempre vereador Ricardo Nunes tentou impedir essa manifestação, mas essa aqui é uma manifestação da paz, do amor, do respeito, da solidariedade”, afirmou à multidão.
Marina Silva agradeceu a “garra da militância” por “seguir em frente e não recuar”. Simone Tebet, por sua vez, afirmou que a resposta à tentativa de impedir o ato seria dada nas urnas.
“Tentaram impedir o povo de ocupar a Paulista. Enquanto o senhor for presidente da República, ninguém vai enfraquecer a democracia do Brasil, ninguém vai atacar nossa soberania. Então, meus amigos e minhas amigas, nós já sabemos a resposta que vamos dar amanhã”, declarou.
Ao discursar, Lula afirmou que pretende voltar à Avenida Paulista neste domingo (4) e disse acreditar que vencerá a eleição ainda no primeiro turno.
“Nesse estado, de 14 universidades federais, 10 foram feitas pelo PT. Nesse estado, de 58 institutos federais, 48 foram feitos pelo PT. Nesse estado, tem 1 milhão de jovens do Pé-de-Meia, porque nós governamos para o Brasil, nós não olhamos a cara do governador. O que nós não podemos permitir é que eles transformem a Avenida Paulista no comício e no palanque da extrema direita. A Paulista não é da direita, é do povo brasileiro. Portanto, amanhã nós vamos ganhar as eleições no primeiro turno e vamos ocupar a Paulista”, afirmou.
Durante o percurso, que ocupou seis quarteirões da Avenida Augusta, Lula destacou a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1, cuja discussão está prevista para a próxima semana no Senado, e voltou a defender a proibição das apostas online.
O presidente tratou ainda do endividamento com cartões de crédito e criticou as taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras. Por fim, o petista dedicou parte do encerramento aos eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo.
“Nós precisamos convencer as pessoas de 70 anos que eles têm que votar pelo os seus filhos, seus netos e bisnetos. Ninguém pode se considerar incapaz com 70 anos, eu tenho 80 e me sinto um menino de 15”, afirmou e completou:
“Eu sempre digo que a gente não consegue evitar que o planeta terra gire, e portanto, os anos passam, mas nós não somos obrigados a ficar velhos porque os anos passam. O que faz a velhice é a falta de motivação, é a falta de causa, e a minha causa é o povo brasileiro”.
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