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Polícia prende 3 em operação contra apostas clandestinas em SP

Esquema pode ter prejudicado cerca de 10 milhões de pessoas; Justiça autoriza bloqueio de até R$ 154 milhões em bens e valores

Fraude, golpe, cibercrime, telefone celular- Idec aponta fragilidades na segurança de aplicativos de bancos. Foto: Freepick
Foto: Freepick

A Polícia Civil de São Paulo prendeu três pessoas nesta terça-feira (13), durante uma operação contra uma organização criminosa suspeita de explorar apostas clandestinas e jogos online fraudulentos. Segundo as investigações, o esquema pode ter feito 10 milhões de vítimas.

A operação foi conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que também cumpre seis mandados de busca e apreensão na capital paulista e em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

A partir da análise de dados bancários, fiscais e de comunicações, os investigadores identificaram mais de 38,5 milhões de operações financeiras relacionadas aos suspeitos.Em  apenas seis meses, o grupo teria movimentado mais de R$ 14 milhões.

Além das prisões, a Justiça autorizou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 154 milhões, com o objetivo de atingir a estrutura financeira da organização.

Como funcionava o esquema?

Segundo a Polícia Civil, os suspeitos utilizavam uma estrutura de movimentações financeiras para dificultar a identificação da origem do dinheiro e de seus beneficiários.

Os valores depositados pelos apostadores eram direcionados para contas que concentravam recursos de diferentes pessoas e, em seguida, transferidos para outras contas bancárias.

A investigação identificou duas dessas estruturas, chamadas de contas-bolsão, utilizadas para reunir e redistribuir os valores.

De acordo com os investigadores, o dinheiro era distribuído entre contas de pessoas físicas e jurídicas até chegar aos beneficiários finais, incluindo suspeitos apontados como sócios ocultos da operação.

Investigação começou em 2024

O delegado Fernando David de Melo Gonçalves, titular da 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas (DIG), do Deic, explicou que a operação é resultado de dois anos de investigação sigilosa.

“Hoje deflagramos a fase externa desta operação iniciada em 2024. Foram dois anos de investigação sigilosa com quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático”, afirmou.

Segundo o delegado, a análise das movimentações permitiu identificar as contas utilizadas para receber os valores das apostas e rastrear parte dos recursos até os beneficiários.

“Identificamos os envolvidos e prendemos três dos responsáveis por esse esquema”, acrescentou.

A investigação contou com a participação do Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), do Ministério Público de São Paulo.

Reclamações ao Procon ajudaram na investigação

O nome da operação faz referência ao Disque 151, canal de atendimento do Procon-SP. Segundo a Polícia Civil, o órgão identificou um aumento nas reclamações relacionadas a plataformas de apostas online, especialmente de usuários que relataram não ter recebido os prêmios prometidos.

As denúncias ajudaram os investigadores a identificar padrões suspeitos de atuação e contribuíram para o avanço das apurações.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para localizar outras possíveis vítimas e identificar novos integrantes da organização criminosa.

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