O avanço das queimadas em áreas isoladas da Amazônia se intensificou em outubro, agravado pelo fenômeno El Niño, pelas mudanças climáticas e pela ação humana. Equipes de bombeiros trabalham para controlar o fogo, enquanto a grande quantidade de fumaça provoca dificuldades respiratórias na população e obriga cidades próximas a cancelar eventos.
Houve 1.679 incêndios no estado do Amazonas nas duas primeiras semanas de outubro, um aumento de 253% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Os incêndios, que as autoridades suspeitam terem sido provocados propositalmente, lançaram nuvens de fumaça pelo céu e provocaram a declaração de estado de emergência em pelo menos 36 municípios do Amazonas, causando problemas respiratórios aos moradores.
“Nossa situação é crítica aqui”, disse Luiz Rios, um agricultor aposentado do município de Autazes, no Amazonas, que tem tido dificuldade para respirar à noite, o que faz com que seu rosto inche.
A má qualidade do ar causada pelos incêndios levou ao cancelamento de eventos ao ar livre em Manaus, capital do Estado e lar de mais de 2 milhões de moradores, onde as escolas públicas fecharam nesta quarta-feira (14).
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Agosto e setembro costumam ser o auge da estação seca na Amazônia, quando os incêndios se tornam mais difíceis de controlar antes que o início da estação chuvosa, geralmente em outubro, traga alívio.
Este ano, no entanto, as chuvas têm demorado a amenizar o problema. Cientistas e autoridades apontam o fenômeno El Niño e as mudanças climáticas como fatores determinantes para o aumento dos incêndios.
“O estresse hídrico e o estresse térmico vêm com uma força muito grande e gerando um cenário potencialmente bastante perigoso, que coloca em risco, baseado em ações humanas, esta biodiversidade, a saúde das pessoas, a produtividade desses territórios e afeta pessoas que estão tanto na zona rural quanto na área urbana”, disse Carlos Durigan, geógrafo e pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.
O governo federal e a Defesa Civil enviaram aeronaves e equipes de brigadas ao Amazonas no fim de semana para combater as chamas.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco sobrevoou no domingo as áreas afetadas e viu “centenas” de focos no meio da floresta preservada, longe das áreas agropecuárias.
Nesta quarta-feira (14), Capobianco viajou novamente a Manaus com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, investigadores da Polícia Federal e agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para “identificar os responsáveis”.
O governo federal enviou 11 aeronaves e cerca de 300 brigadistas, e espera reverter a situação “nos próximos dias”, disse o ministro.
(Com informações da Reuters e AFP)
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