A Amazônia teve 693 mil hectares desmatados em 2025, a menor área registrada desde o início da série histórica, em 1985. Os dados foram divulgados pelo MapBiomas nesta quarta-feira (14), em um relatório que reúne mapas anuais de cobertura e uso da terra em todo o Brasil ao longo de 41 anos.
A vegetação primária respondeu por 92% da área derrubada no ano passado, o equivalente a 639 mil hectares. Os 54 mil hectares restantes eram de vegetação secundária.
Apesar do resultado de 2025, o levantamento mostra que o bioma perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa nas últimas quatro décadas. No mesmo intervalo, a área ocupada pela agropecuária aumentou 440%. O total convertido para uso humano subiu 492% e chegou a 74,6 milhões de hectares.
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Agropecuária é mais presente perto de estradas
Os dados também indicam que a presença da agropecuária é maior nas proximidades das vias. Na faixa de até 5 quilômetros das estradas, a atividade cobre 40,2% do território, cerca de 63 milhões de hectares.
Essa fatia encolhe conforme a distância aumenta. Num raio de 20 quilômetros, a agropecuária responde por 26,7% da área. Com a vegetação nativa acontece o contrário, já que ela representa 56,7% da faixa de 5 quilômetros e sobe para 69,3% no raio de 20 quilômetros.
Para chegar a esses números, o MapBiomas combinou seus mapas anuais com as bases de estradas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e do OpenStreetMap. A análise também incluiu vias que estão fora da malha rodoviária oficial.
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Vegetação nativa cobre 98% das áreas protegidas
Nos territórios indígenas, nas unidades de conservação e nas terras quilombolas, a vegetação nativa cobre 98% da área. O cenário muda no entorno desses territórios, onde a agropecuária avançou 561% desde 1985 e já ocupa 31% da faixa analisada.
Para Ives Brandão, da equipe da Amazônia do MapBiomas, as áreas protegidas funcionam como uma barreira à transformação da paisagem. Segundo ele, a chegada de estradas, de outras atividades e de novas formas de ocupação aos limites dessas áreas aumenta a pressão sobre elas.
“Por isso, além de garantir a proteção desses territórios, é importante que existam condições e políticas que fortaleçam sua conservação”, afirma o pesquisador.
O levantamento também compara as categorias de terra. As Terras Indígenas tinham 98,9% de cobertura nativa em 2025. Nos imóveis rurais, a agropecuária respondia por 38,8% da área. Nas terras públicas ou sem registro fundiário georreferenciado, a vegetação nativa ocupava 76,4%, contra 21,5% de agropecuária.
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Pastagem domina a ocupação
Em 2025, a agropecuária ocupava 15,5% da Amazônia, o que corresponde a 65,3 milhões de hectares. As pastagens respondiam pela maior parcela, com 50,8 milhões de hectares (12% do bioma).
A área de pasto cresceu 556% desde 1985 e foi o destino mais comum das terras desmatadas. Em 77% dos casos, em média, a pastagem foi o primeiro uso detectado depois da retirada da vegetação nativa. No fim da série, 37,7 milhões de hectares desmatados estavam consolidados como pasto.
A agricultura também se expandiu. Eram 161 mil hectares em 1985, área que saltou para 8,6 milhões de hectares em 2025.
A mineração passou de 32 mil hectares no início da série para 440 mil hectares no ano passado, uma área quase 14 vezes maior. Quase metade (47%) de toda a área minerada foi aberta na última década.
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Perda é desigual entre regiões e estados
As mudanças não se distribuíram de forma igual pela Amazônia. Na Amacro, região formada por municípios do Amazonas, do Acre e de Rondônia, a vegetação nativa recuou cerca de 7 milhões de hectares desde 1985, uma queda de 16%.
A região corresponde a 11% do bioma, mas concentra 13% de toda a perda de vegetação nativa no período. A última década foi a de maior desmatamento, com 2,7 milhões de hectares entre 2015 e 2025. Desde 1985, a pastagem na Amacro ficou cerca de 15 vezes maior, com 6,6 milhões de hectares a mais.
Entre os estados, considerando apenas a parte de cada um dentro do bioma, o Amapá tinha a maior proporção de vegetação nativa em 2025, com 95,5%. Em seguida vinham Amazonas (94,6%), Roraima (92,3%) e Acre (84,2%).
O Tocantins registrou o menor percentual, com 24,6%. Maranhão (49,8%), Rondônia (59,1%) e Mato Grosso (61,7%) completam a lista das menores proporções.
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