O Dia dos Professores é celebrado nesta quinta-feira (15), mas a categoria se encontra em um cenário cada vez mais instável. Atualmente, quase metade dos docentes das redes estaduais do país trabalha com contrato temporário, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026.
Em 2025, os temporários somavam 48,6% dos professores estaduais, a mesma proporção dos concursados. Em 2015, os temporários eram 35,6%, e os efetivos chegavam a 63,8%. O levantamento é da organização Todos Pela Educação, feito em parceria com a Editora Moderna e a Fundação Santillana, com base no Censo Escolar do MEC/Inep.
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Nas redes municipais, o movimento foi parecido. A fatia de concursados recuou de 72,7% para 60,5% no período, enquanto a de temporários subiu de 25,9% para 36,9%.
O Acre lidera a proporção de temporários na rede estadual, com 81% dos professores nessa situação. Em seguida aparecem Espírito Santo (75,4%), Mato Grosso do Sul (71,5%), Santa Catarina (71,2%) e Mato Grosso (71,1%). Na outra ponta, Bahia e Rio de Janeiro registram os menores índices, de 5,7% e 8,1%, respectivamente.
Em São Paulo, a mudança está entre as mais acentuadas. A presença de temporários na rede estadual saltou de 17,9% em 2015 para 47,6% em 2025, e a de concursados caiu de 81,8% para 45,1%.
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A remuneração também fica atrás da de outras carreiras. De acordo com o anuário, professores da rede pública com graduação ganhavam o equivalente a 85% da renda de outros profissionais com ensino superior, segundo dados da Pnad Contínua, do IBGE.
As condições de jornada são outro ponto de atenção. Em 2025, 97% das redes municipais declararam ter plano de carreira para o magistério, mas 20,6% delas destinam à hora-atividade menos de um terço da carga de trabalho, e 8% não preveem esse período. Em Minas Gerais, as redes sem previsão chegam a 16,4%.
O anuário mostra ainda que a profissão tem atraído poucos estudantes de alto desempenho. Em 2024, só 14,7% dos calouros de licenciatura que haviam feito o Enem estavam entre os 20% mais bem colocados no exame. Entre os ingressantes de Direito, esse grupo representava 32,6% e, entre os de Medicina, 81,2%.
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