O atacante brasileiro do Tottenham Hotspur, Richarlison, publicou em seu perfil no Instagram, na manhã desta quarta-feira (21), um vídeo em que apresenta documentos que, segundo ele, comprovam a compra de uma propriedade localizada em Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
Na gravação, o jogador afirma que o advogado Willer Tomaz tomou posse do imóvel após um processo judicial que foi concluído em apenas 24 horas. Richarlison também cobra do candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), a devolução de, pelo menos, o valor investido na reforma da propriedade.
O atacante alega que Flávio e Willer Tomaz estiveram envolvidos na tomada de posse do imóvel, que, segundo ele, ocorreu em meio a irregularidades.
O assunto voltou à tona após Richarlison publicar um primeiro vídeo, em 18 de outubro, detalhando a disputa pela propriedade. A negociação ocorreu entre 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19, período em que Jair Bolsonaro ocupava a Presidência da República.
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A aquisição foi realizada por Richarlison e seu empresário, Renato Velasco, por meio da empresa Sport 70, da qual são sócios. Na época, a propriedade estava sob a posse do empresário Antônio Marcos Pereira Silva.
A mansão, que pertenceu à cantora Clara Nunes na década de 1980, é conhecida pelo luxo. O imóvel conta com 11 suítes, praia privativa, cachoeira, piscina, quadra de tênis e heliponto, entre outras instalações.
Segundo Richarlison, após a compra, ele recebeu propostas de interessados na aquisição da propriedade, entre eles Flávio Bolsonaro.
“Daí apareceram compradores querendo comprar a ilha de mim lá e eu não quis vender. Entre eles, estava o Flávio Bolsonaro”, declarou o ex-jogador da Seleção Brasileira. “E como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande”, acrescentou.
Entenda o caso
Richarlison relatou, em denúncias publicadas nas redes sociais, que enfrenta uma disputa judicial desde 2022 envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo próximo de Flávio Bolsonaro. O conflito teria começado após o senador demonstrar interesse pela propriedade.
De acordo com o atacante, a compra foi efetivada em 2020. Na legenda da publicação, o atleta afirmou que investiu cerca de R$ 10 milhões.
Segundo ele, o valor inclui R$ 4,66 milhões pagos a antigos ocupantes, além de reformas e gastos com segurança contra invasões. Richarlison também declarou que indenizou os moradores e que a Justiça do Rio de Janeiro validou sua posse.
Entretanto, em 2021, ele e seu sócio foram informados sobre a necessidade de regularizar a documentação da propriedade perante a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), responsável pela administração de imóveis pertencentes à União.
Segundo o relato, os registros relacionados à ocupação da área não eram atualizados desde 1977. O processo, no entanto, ficou parado por mais de 10 meses, afirmou Richarlison. Nesse meio tempo, um grupo ligado ao advogado Willer Tomaz teria tomado posse da ilha
“O que o Governo Federal fez? Aprovou a transferência do patrimônio para a empresa deles a jato, numa “modalidade especial”, afirma o jogador na publicação.
“Ganhamos na Justiça de Angra dos Reis, mas tudo começou a mudar quando o Willer contratou um advogado filho de um ministro do STJ. Aí, mudaram a sentença e se sentaram em cima do processo! Hoje a ilha está no nome de uma empresa (WT Administração) presidida por uma senhora que confessou ser empregada doméstica.”, continuou.
Jogador Richarlison, em video relatando o tempo que o processo demorou para ter andamento (Foto: Reprodução | Print Instagram)
“Eu quero a ilha de volta, com a casa reconstruída do mesmo jeito que estava antes de você demolida.”, completou.
Richarlison também compartilhou todos os processos e investigações relacionados ao caso. Informou ainda que o dossiê completo, com recibos, contratos e conversas, já foi entregue a jornalistas investigativos independentes e às autoridades.
O Portal Tela procurou a assessoria de imprensa do candidato Flávio Bolsonaro. Em manifestações anteriores, a assessoria de Flávio negou qualquer vínculo do senador com o imóvel e classificou a associação como “factualmente infundada e eleitoralmente motivada”. O espaço permanece aberto.

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