O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro, candidato ao mais alto cargo da República pelo PL (Partido Liberal), fizeram na noite desta sexta-feira (23) o último debate antes do segundo turno da eleição, que será realizado no domingo (25).
Diferentemente de domingo passado (18), quando a troca de ataques se sobrepôs à discussão de temas de interesse dos eleitores, desta vez os dois candidatos se concentraram nos principais problemas do país: Flávio falou mais de propostas e Lula, das realizações do seu governo.
Leia a seguir os destaques da discussão.
O que Lula disse
Sobre infraestrutura
No primeiro bloco do debate, os dois candidatos falaram sobre melhorias na infraestrutura brasileira. Lula citou obras no setor de transportes que estão em andamento.
“Nós estamos fazendo uma rodovia muito importante, que ninguém teve coragem de fazer, que liga Porto Velho [RO] a Manaus [AM], que é a BR-319. Nós estamos fazendo a Transnordestina. Não é que vamos fazer, estamos fazendo. Nós estamos fazendo a Serra de Araras, lá no Rio de Janeiro, que é uma obra de quase R$ 12 bilhões. Nós estamos fazendo e fizemos o canal de Florianópolis. Aliás, o túnel de Santos, quem está colocando dinheiro para fazer somos nós, tanto do orçamento [federal] quanto do financiamento do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. Estamos fazendo o novo porto de Manaus. E estamos fazendo VLT de Salvador, metrô em São Paulo, Belo Horizonte, BRT no Rio de Janeiro, além de estar muito próximo de concluir a tão sonhada transposição de São Francisco.
Sobre a região Nordeste do país
No debate, os candidatos também foram instados a comentar especificamente os desafios de cada região do país. Lula falou sobre o Nordeste.
“Nós levamos indústria automobilística para Pernambuco. Levamos indústria automobilística que vocês tiraram da Bahia, nós levamos outra para a Bahia. Levamos para o Ceará. Nós fizemos 14 novos hospitais. Levamos o Instituto Tecnológico da Aeronáutica para o Ceará como prêmio ao Estado do Ceará, porque é o Estado que mais aprova jovens para fazer curso no ITA. Foi um prêmio que nós resolvemos dar ao Ceará. Ao mesmo tempo, nós fizemos 40 novos institutos federais e novas universidades”, afirmou.
Sobre o endividamento da população
Lula relembrou os programas de renegociação de dívidas realizados pela sua administração.
“Nós fizemos dois ‘Desenrola’. No primeiro, atendemos 15 milhões de pessoas. No seguinte, atendemos quase 16 milhões de pessoas. E nós descobrimos que ainda era preciso fazer mais coisas. E resolvemos criar um programa agora para resolver definitivamente a questão da dívida. Nós já mandamos a medida provisória. Vamos fazer um leilão neste mês que pode chegar a mais de R$ 150 bilhões para comprar as dívidas dos bancos dessas pessoas. E aí sim, a gente vai poder tirar essas pessoas do Serasa, dar a essas pessoas condição de trabalhar. Nós sabemos que o mundo do trabalho mudou e que as pessoas querem outro tipo de trabalho. E nós estamos fomentando. É por isso que nós, nesta semana, anunciamos o perdão de uma dívida de quase R$ 15 bilhões para 4 bilhões de MEIs. E nós vamos resolver o problema da dívida porque nós queremos que essa gente volte a trabalhar”, afirmou.
O que Flávio Bolsonaro disse
Sobre infraestrutura e exportações
No primeiro tema, infraestrutura e exportação, Flávio disse que vai “rasgar o Brasil de ferrovias” e concluir a Transnordestina para o escoamento da produção agrícola: “Eu vou fazer o eixo Sul da ferrovia que está faltando, ligando o Centro-Oeste até o oeste de Paraná e Santa Catarina.” O candidato também falou sobre as políticas de concessão de Rodovias: “Todas as concessões de rodovias vão garantir pedágio zero para motociclistas. E vou tratar a internet como infraestrutura. Esse é um Brasil que eu quero, um Brasil conectado. A internet é importante para agricultura de precisão.” Flávio disse ainda que vai continuar a concessão de portos para garantir, segundo ele, segurança alimentar.
Sobre a dívida pública
No segundo bloco, os candidatos falaram sobre dívida pública. Flávio Bolsonaro (PL) disse que vai ajudar pessoas endividadas a quitar as dívidas: “Eu vou comprar a sua dívida dos bancos e vou refinanciar pelo ‘banco da prosperidade’, que é a Caixa Econômica Federal. Quando eu compro essa dívida, ela já fica menor.” O senador e candidato disse também que vai suspender o pagamento de dívidas refinanciadas por seis meses para pessoas físicas e por um ano para pessoas jurídicas.
(Matéria em atualização. Aguarde mais informações.)
Entre na conversa da comunidade