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OPINIÃO: E se, antes de escolher um lado na eleição, escolhêssemos seguir Jesus?

Mais importante do que vencer disputas políticas é conseguir permanecer fiel ao que Cristo nos ensinou

(Imagem: IA)

Em tempos de eleições, quando a sociedade se divide entre candidatos, partidos e ideologias, uma pergunta merece ser feita: estamos defendendo aquilo em que acreditamos ou vivendo aquilo que Jesus nos ensinou? As eleições passam, os governos mudam, os líderes chegam e partem, porém, os princípios que sustentam uma sociedade permanecem ou desaparecem dependendo das escolhas que fazemos todos os dias.

Em períodos eleitorais, é natural que as pessoas defendam suas convicções, discutam propostas e se preocupem com o futuro do país. A política faz parte da vida em sociedade, e participar dela é uma responsabilidade importante. Mas existe uma questão que deveria estar acima das disputas políticas, especialmente para aqueles que professam a fé cristã: estamos olhando para o mundo através dos ensinamentos de Jesus ou estamos tentando adaptar os ensinamentos de Jesus às nossas preferências políticas?

1. Jesus nunca nos pediu para escolher um partido. Ele nos ensinou princípios, valores e nos mandou amar o próximo.

Na época de Jesus não existiam partidos, mas existiam grupos políticos bem definidos. Os fariseus não aceitavam a dominação romana. Os herodianos apoiavam Herodes, que governava com o aval de Roma.

Na semana em que Jesus foi crucificado, esses dois grupos se juntaram para fazer a Jesus uma pergunta que era uma armadilha: é certo pagar imposto a César? Se Ele dissesse que sim, perdia o povo. Se dissesse que não, virava inimigo de Roma.

Jesus pediu uma moeda, perguntou de quem era a imagem gravada nela e respondeu: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” (Mateus 22:21)

A moeda carregava a imagem de César. Nós carregamos a imagem de Deus (Gênesis 1:27). O governo pode receber nossos impostos, mas a nossa lealdade, nossa esperança e o nosso coração pertencem a Deus.

No mesmo dia, quando perguntaram a Jesus qual era o maior mandamento, sua resposta foi clara: amar a Deus de todo o coração e amar o próximo como a si mesmo. (Mateus 22:37-39)

Não havia uma condição política nessa orientação. Jesus não disse para amar apenas quem pensa como nós. Não estabeleceu exceções para adversários políticos. Não condicionou o respeito à concordância ideológica.

E Ele viveu isso dentro do próprio grupo. Entre os doze estavam Simão, chamado de zelote, um apelido ligado ao zelo pela Lei e que muitos associam à resistência contra o domínio romano (Lucas 6:15), e Mateus, um cobrador de impostos, visto pelo povo como colaborador desse mesmo domínio (Mateus 9:9). Pela política da época, um poderia ver o outro como traidor. Para seguir Jesus, os dois precisaram colocá-lo acima da causa que defendiam.

Seu ensinamento colocou o amor ao próximo no centro da vida cristã. Amor envolve, sim, alertar e informar, mas jamais ofender ou destratar alguém por discordar da nossa opinião. Como tratamos alguém que pensa diferente? Como reagimos quando uma pessoa da nossa família apoia outro candidato? Somos capazes de discordar sem humilhar, ofender ou desumanizar?

2. Não devemos transformar políticos em salvadores

O perigo começa quando transformamos políticos em salvadores, partidos em religiões e adversários em inimigos.

“Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação.” (Salmos 146:3)

Nenhum governante é perfeito. Nenhum partido possui todas as respostas. E nenhuma eleição, isoladamente, será capaz de resolver os problemas morais, espirituais e sociais de uma nação.

Para os cristãos, a esperança definitiva não está depositada em uma liderança humana, mas em Deus. O problema não está em participar da política. Pelo contrário: uma sociedade precisa de cidadãos comprometidos com a justiça, a verdade, a responsabilidade e o bem comum. Mas a transformação de uma sociedade não depende apenas de quem ocupa o poder. Depende também dos valores que vivemos em casa e no trabalho, e da forma como tratamos os mais vulneráveis.

Não podemos esperar que um governante construa sozinho uma sociedade que nós mesmos não estamos dispostos a construir.

3. Jesus nos ensinou a reconhecer as pessoas por seus frutos

Em Mateus 7:16, Jesus apresenta um princípio: “Pelos seus frutos os conhecereis”.

Jesus disse isso sobre os falsos profetas, mas o princípio vale para qualquer pessoa que pede a nossa confiança. Mais importante do que os discursos são os frutos. Mais importante do que as promessas são as atitudes. Mais importante do que alguém declarar sua fé é observar se suas ações refletem honestidade, misericórdia, humildade e justiça.

E esse critério também vale para nós. Quando justificamos a mentira porque ela favorece nosso candidato, quando toleramos a corrupção porque ela acontece do nosso lado ou quando celebramos a humilhação de alguém que pensa diferente, precisamos nos perguntar: estamos defendendo os princípios de Jesus ou apenas usando o nome de Jesus para defender nossas próprias convicções?

É fácil falar de amor quando todos concordam conosco. Difícil é amar quem nos critica. É fácil pedir justiça quando o erro está do outro lado. Difícil é exigir a mesma justiça daqueles que admiramos.

Um teste honesto: quando a Bíblia confronta o nosso lado, mudamos de opinião ou mudamos de assunto? Se a nossa fé nunca discorda do nosso partido, talvez quem esteja nos guiando não seja Jesus.

4. A sociedade que Jesus nos ensinou a construir começa em nossas atitudes

Ao longo de seu ministério, Jesus se aproximou de pessoas rejeitadas, acolheu os vulneráveis, confrontou a hipocrisia e ensinou sobre perdão, justiça, misericórdia e reconciliação. No Sermão do Monte, declarou: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”. (Mateus 5:9)

Ser pacificador não significa aceitar injustiças ou abandonar convicções. Significa defendê-las sem abandonar a humanidade, a dignidade e o amor ao próximo. A paz não nasce da ausência de divergências, mas da capacidade de enfrentá-las com responsabilidade.

Que tipo de sociedade estamos construindo quando a mentira se torna aceitável, a agressividade vira coragem e o respeito passa a ser visto como fraqueza? A política pode ajudar a transformar leis e instituições, mas nenhuma lei substitui a necessidade de cultivar valores dentro de cada pessoa.

5. E se mudássemos a pergunta durante as eleições?

A cada eleição, milhões de pessoas se perguntam: quem vai ganhar? Quem vai perder? Qual candidato representa melhor minhas ideias? São perguntas legítimas em uma democracia.

Mas, para quem deseja viver os ensinamentos de Jesus, cabem outras: se Jesus estivesse fisicamente entre nós hoje, como Ele enxergaria a maneira como estamos vivendo a política? Estamos construindo uma sociedade mais verdadeira? Que exemplo estamos oferecendo aos nossos filhos quando transformamos pessoas em inimigas por causa de suas opiniões? Estamos cuidando daqueles que mais precisam? Estamos praticando os valores que esperamos encontrar em nossos líderes?

Talvez o maior desafio não seja encontrar um candidato que represente perfeitamente nossas convicções. Talvez seja aprender a viver essas convicções com coerência, independentemente do resultado das urnas.

O Reino de Deus não depende do resultado de uma eleição. As eleições são importantes, e a democracia exige participação, responsabilidade e discernimento, mas a nossa responsabilidade com o próximo não termina quando os votos são contados. Continuamos chamados a amar, servir, perdoar, buscar a verdade, promover a paz e orar.

O apóstolo Paulo pediu para que fizéssemos orações por aqueles que estão em posição de autoridade: “Peço que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.” (1 Timóteo 2:1,2)

Por todos, inclusive por quem não recebeu o nosso voto. E ele escreveu isso quando o imperador de Roma era Nero.

Orar por quem governa é lembrar que o trono mais alto já está ocupado. Antes de defender um partido, podemos examinar nossos princípios. Antes de compartilhar uma notícia, podemos verificar se ela é verdadeira. Antes de exigir mudanças da sociedade, podemos perguntar o que precisamos mudar em nós mesmos. Porque o cristianismo não deve ser moldado pela política. É a nossa participação na política que deve ser orientada pelos ensinamentos de Cristo.

No fim, a pergunta mais importante talvez não seja quem venceu a eleição, mas se, durante todo esse processo, conseguimos permanecer fiéis àquilo que Jesus nos ensinou. Jesus não nos chamou para conquistar o mundo a qualquer custo. Ele nos chamou para ser luz do mundo. (Mateus 5:14) E a luz não precisa destruir quem está na escuridão — ela precisa iluminar.

Texto editorial original inspirado na reflexão de Jon Huckins “4 Tips for Following Jesus in Election Season”, publicada no site Sojourners. Os princípios apresentados são interpretações cristãs e não representam apoio a partidos ou candidatos.

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