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Caixa-preta de helicóptero que caiu com o cantor Rick não gravou voo da queda

Relatório do Cenipa aponta problemas recorrentes nos geradores; investigação ainda não determinou a causa do acidente

Vista aérea mostra destroços de uma aeronave espalhados em área de mata densa, com partes da fuselagem e fragmentos metálicos entre as árvores.
Destroços do Helicóptero desaparecido em SC | Divulgação: Corpo de Bombeiros de Santa Catarina

O helicóptero que caiu em Santa Catarina e matou o cantor Rick Sollo, da dupla com Renner, e outras quatro pessoas apresentava falhas mecânicas recorrentes nos geradores de energia. Além disso, o equipamento responsável por registrar as conversas na cabine não gravou o voo do acidente, ocorrido em 21 de setembro, na região de Urubici, na Serra Catarinense.

As informações constam de um relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB). O documento, de 16 páginas, foi anexado ao processo de investigação na quarta-feira (21).

Segundo o relatório, os investigadores conseguiram extrair informações do Cockpit Voice Recorder (CVR), conhecido como caixa-preta. No entanto, o áudio armazenado continha apenas diálogos relacionados a um serviço de manutenção realizado em data não identificada, sem registros das conversas durante o voo que terminou no acidente.

O equipamento tinha capacidade para armazenar 30 minutos de áudio e havia sido instalado na aeronave em maio de 2002. Segundo o Cenipa, a legislação não exigia gravador de voo para aquele tipo de operação.

Falhas mecânicas eram recorrentes

O relatório também revelou que o helicóptero apresentava problemas frequentes nos geradores, componentes responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica da aeronave.

Um mecânico que já havia realizado serviços no helicóptero confirmou que as falhas eram constantes. Segundo ele, alguns problemas surgiram após voos realizados sob chuva ou dentro de nuvens, mas não foi possível confirmar se a umidade era a causa.

Em determinadas ocasiões, um dos geradores deixava de fornecer energia, enquanto o outro permanecia funcionando para evitar que as telas da aeronave se apagassem.

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Em abril de 2026, um dos geradores precisou ser substituído temporariamente. Após reparos e a reinstalação do equipamento, em maio, as falhas passaram a ocorrer alternadamente nos dois geradores.

Diante da situação, o mecânico recomendou que o helicóptero retornasse à oficina para uma nova inspeção. Segundo o relatório, isso não havia ocorrido até a data do acidente.

O documento também registra que, em 30 de março, a aeronave realizou um pouso de emergência em Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, após apresentar uma vibração considerada anormal. Inspeções posteriores, porém, não identificaram problemas relacionados à vibração do rotor principal.

Mau tempo na região do acidente

O helicóptero desapareceu na tarde de 21 de setembro, após decolar de Porto Belo, no litoral de Santa Catarina, naquela manhã.

Além de Rick Sollo, estavam a bordo o empresário e influenciador Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Todos morreram.

Segundo o Cenipa, a aeronave colidiu contra o terreno em uma região montanhosa do Parque Nacional de São Joaquim.

Na ocasião, a área apresentava condições meteorológicas adversas, com chuva, nuvens baixas e possibilidade de trovoadas. A previsão meteorológica indicava visibilidade reduzida a três quilômetros e montanhas encobertas por nuvens.

O Cenipa ressalta que ainda não é possível determinar o que provocou a queda. Todas as hipóteses permanecem em análise, e os problemas mecânicos identificados não foram apontados como causa do acidente.

“Os trabalhos relativos desta ocorrência estão em andamento. Este reporte tem por finalidade apresentar o status atual do tratamento da notificação. Seu teor ainda pode ser alterado e não vincula obrigatoriamente as conclusões que serão publicadas no Relatório Final de investigação”, informou o órgão.

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