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Ação contra infiltração do PCC no transporte público de SP prende cinco

Vereador Senival Moura, do PT, é um dos presos por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo a Transunião Transportes

Vereador Senival Moura, um homem com cabelo e cavanhaque grisalho, falando em microfone que está apoiado sob uma mesa de madeira
Vereador Senival Moura, do PT, foi preso por suspeita de envolvimento com infiltração do PCC nos transportes de São Paulo | Foto: Afonso Braga / Câmara Municipal de São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo prendeu cinco pessoas nesta quarta-feira (28) durante uma operação que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital. Entre os presos está o vereador Senival Pereira de Moura (PT).

A ação teve como alvo investigados por organização criminosa e lavagem de dinheiro envolvendo a empresa Transunião Transportes. A operação foi realizada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.

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Ao todo, a Justiça expediu sete mandados de prisão preventiva. Dois investigados não foram localizados e continuam sendo procurados.

Segundo o Governo de São Paulo, a investigação identificou indícios de que integrantes de uma organização criminosa utilizavam pessoas interpostas, conhecidas como laranjas, para ocultar a participação e a influência sobre a estrutura societária e administrativa da empresa de ônibus.

“A apuração também identificou movimentações financeiras suspeitas e mecanismos de ocultação da origem e da titularidade de bens e valores. Os investigadores reuniram elementos sobre possíveis vínculos entre integrantes da organização criminosa e pessoas que exerciam funções de direção, administração ou influência nas atividades empresariais”, afirmou o diretor do Deic, delegado Ronaldo Sayeg.

As investigações foram conduzidas pela Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar), do Deic, em conjunto com o Gaeco. Após a conclusão do inquérito policial, o Ministério Público apresentou denúncia à Justiça, que determinou as prisões preventivas.

Dinheiro, carros de luxo e joias foram apreendidos

Ao longo da investigação, foram apreendidos R$ 158,9 mil em espécie, US$ 2.417 e € 1.465, além de dez veículos, cerca de 40 relógios de luxo e joias.

Entre os automóveis apreendidos estão modelos Porsche Macan, BMW e RAM Rampage.

A Justiça também determinou o sequestro de 21 imóveis, a restrição de transferência de 408 veículos e o bloqueio de seis embarcações.

As medidas atingem ainda bens vinculados a 136 pessoas físicas e jurídicas, além de valores mantidos em instituições financeiras por meio do Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud). O total bloqueado ainda está sendo consolidado.

A Polícia Civil continua as diligências para localizar os dois investigados que permanecem foragidos. A investigação patrimonial também prossegue para identificar recursos suspeitos de ligação com as atividades apuradas e impedir sua movimentação.

Defesa de Senival Moura questiona prisão

A defesa do vereador Senival Pereira de Moura afirmou discordar da decisão judicial que decretou a prisão preventiva do parlamentar em 20 de outubro. Segundo os advogados, a medida não apresenta fundamentação concreta suficiente para justificar a manutenção da prisão.

A defesa sustenta que a decisão se baseia principalmente em elementos que já fazem parte da denúncia apresentada pelo Ministério Público e questiona a existência de fatos novos ou contemporâneos que demonstrem a necessidade atual da prisão preventiva.

Os advogados também afirmam que é necessário diferenciar a existência de uma acusação criminal dos requisitos exigidos para uma prisão cautelar e argumentam que o recebimento de uma denúncia, por si só, não justifica o encarceramento.

Segundo a defesa, a decisão aponta um suposto risco de continuidade das práticas investigadas, mas não apresentaria de forma suficientemente individualizada atos recentes atribuídos ao vereador que comprovassem esse perigo.

Senival Moura nega qualquer envolvimento com organização criminosa ou esquema de lavagem de dinheiro e reafirma sua inocência.

A defesa lembrou ainda que, em agosto de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o relaxamento de uma prisão temporária do parlamentar por extrapolação do prazo legal. Os advogados reconhecem que se tratava de uma modalidade diferente de prisão cautelar, mas afirmam que a decisão reforçou a necessidade de observância das garantias constitucionais.

“A prisão preventiva não pode representar antecipação de pena, tampouco decorrer automaticamente da gravidade das acusações. Sua imposição exige fundamentação concreta, individualizada e compatível com os requisitos previstos na legislação processual penal”, afirmou a defesa.

Os advogados disseram que adotarão as medidas judiciais cabíveis para questionar a necessidade e a legalidade da prisão e buscar a liberdade do vereador.

“Senival Moura permanece firme em sua declaração de inocência e confiante de que a verdade será esclarecida no curso do processo”, concluiu a defesa.

Leia, abaixo, a nota completa da defesa de Senival Moura:

NOTA OFICIAL À IMPRENSA

Defesa do vereador Senival Pereira de Moura

A defesa do vereador Senival Pereira de Moura manifesta sua discordância quanto à decisão judicial que decretou sua prisão preventiva em 20 de outubro de 2026, por entender que a medida extrema não encontra fundamentação concreta suficiente para justificar a privação de sua liberdade.

A decisão, na avaliação da defesa, apoia-se essencialmente em elementos investigativos que já integram a denúncia oferecida pelo Ministério Público, sem demonstrar adequadamente a existência de fatos novos ou contemporâneos que evidenciem a necessidade atual da prisão.

É fundamental distinguir a existência de uma acusação criminal dos requisitos legais indispensáveis à decretação de uma prisão preventiva. O recebimento de uma denúncia não implica, por si só, a necessidade de encarceramento do acusado.

A defesa destaca que a decisão atribui ao parlamentar um suposto risco de continuidade das práticas investigadas, mas questiona a ausência de demonstração suficientemente individualizada de atos recentes que comprovem esse perigo.

Senival Moura nega categoricamente qualquer envolvimento com organização criminosa ou participação em esquema de lavagem de dinheiro e, desde o início das investigações, reafirma sua inocência e sua confiança na Justiça.

Cumpre recordar que, em agosto de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo já havia reconhecido a ilegalidade da manutenção de sua prisão temporária, determinando seu relaxamento por extrapolação do prazo legal. Embora se trate de modalidade distinta de prisão cautelar, aquela decisão reafirmou a importância da estrita observância das garantias constitucionais.

A prisão preventiva não pode representar antecipação de pena, tampouco decorrer automaticamente da gravidade das acusações. Sua imposição exige fundamentação concreta, individualizada e compatível com os requisitos previstos na legislação processual penal.

A defesa respeita as instituições e reconhece a legitimidade da investigação criminal. Entretanto, entende que a apuração dos fatos deve ocorrer com pleno respeito à presunção de inocência, ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal.

Diante disso, serão adotadas as medidas judiciais cabíveis para questionar a necessidade e a legalidade da custódia, buscando o restabelecimento da liberdade do parlamentar.

Senival Moura permanece firme em sua declaração de inocência e confiante de que a verdade será esclarecida no curso do processo.

Dr. Wilson de Almeida Ferreira
OAB/SP 384.299
Defesa do vereador Senival Pereira de Moura

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