O Ministério Público de São Paulo pediu nesta quarta-feira (28) a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani, por tráfico de insumos para fabricação de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
O caso envolve uma empresa de que Cariani era sócio. As investigações começaram em 2023, na Operação Hinsberg.
O influenciador foi indiciado ainda naquele ano, sob a acusação de participar de um esquema de desvio de produtos químicos utilizados pelo narcotráfico na produção de drogas em larga escala. Tornou-se réu em 2024 e responde ao processo em liberdade.
Se condenado, ele poderá pegar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de reclusão.
Entenda o caso
Durante a Operação Hinsberg, a Polícia Federal identificou que a empresa, localizada em Diadema, SP, teria emitido notas fiscais fraudulentas simulando a venda de insumos químicos para grandes farmacêuticas, como a AstraZeneca. Segundo as investigações, os produtos seriam desviados para o refino de cocaína e crack.
De acordo com o MP, o influenciador autorizou a retirada de produtos químicos fora do expediente, forneceu comprovantes de retirada com documentos falsos e agiu para subverter a fiscalização, aproximando-se de um policial civil e induzindo ao arquivamento de investigação:
“Renato autorizou a separação e a retirada fora do expediente, em 26/02/2018, de produtos faturados à empresa ASTRAZENECA (100 litros de éter etílico e 50 kg de cloridrato de lidocaína). […] Ele forneceu à Polícia Federal comprovantes de retirada com placas, documentos e habilitações falsos, que ele próprio declarou estarem ‘arquivados’. E, tal qual explícito de seu aparelho celular, agiu para subverter a fiscalização, aproximando-se de policial civil responsável pela fiscalização e induzindo o arquivamento de expediente investigativo antecedente”, apontou a promotoria.
O que diz a defesa do influenciador
Os principais advogados de defesa do influenciador e empresário Renato Cariani são Aldo Romani Netto e o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Em nota, eles declararam:
“Recebemos com naturalidade o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público. Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa.
O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes.
Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani.”
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