Líderes e integrantes do PL e da oposição demonstraram desconforto com as três versões da “Carta à nação brasileira”, na qual o senador derrotado nas eleições presidenciais Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a se proclamar como candidato eleito, ao contrário do que mostraram as urnas, e ainda disse que seria líder da oposição à distância, atuando nos Estados Unidos. O Portal Tela conversou com alguns deles no Congresso na quarta-feira (28). Apesar da boa vontade com o aliado, que recebeu 59 milhões de votos no segundo turno, rejeitaram qualquer possibilidade de ele atuar numa posição de destaque remotamente, como num trabalho de “home office”.
“Não dá”, resumiu um importante líder do PL no plenário do Senado, em uma conversa reservada com a reportagem.
Por isso, começou a busca por líderes que façam frente ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo sem maioria no Congresso, o PT já começou a se articular com os atuais comandantes do Senado e Câmara, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Mota (Republicanos-PB), para garantir a reeleição deles e compensar a força do PL.
O nome mais falado, porém, é do Republicanos: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Foi o próprio governador que reconheceu a vitória de Lula na terça-feira (27) e, na quarta-feira, reforçou o discurso depois das versões da carta de Flávio. “A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente”, disse o governador de São Paulo ao jornal Estado de São Paulo. “O caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente.”
Outro nome lembrado é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), combativa, ligada ao agronegócio e com potencial para disputar a Presidência do Senado. Outra opção vista por lideranças do PL é Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), eleito governador de Minas.
Para o ex-deputado do PL Marcelo Ramos (AM), que hoje está no PT, o senador Rogério Marinho (PL-RN) sai enfraquecido por ser uma espécie de braço-direito de Flávio e, ao mesmo tempo, ter sido escanteado pelo pupilo no plano secreto do ex-candidato de fugir das ordens da Justiça. Por isso, ele entende que o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, está com poucas opções para a escolha de um líder enquanto vê nomes fora do Partido Liberal despontarem.
No salão Azul do Senado, Rogério Marinho fez questão de normalizar as versões da carta de Flávio quando ele diz ser proclama “presidente eleito” do Brasil – “deve ter havido algum problema na confecção da carta” – e acusa uma “fraude” nas eleições sem prova alguma – “desabafo”. Marinho confirmou a possibilidade de liderança remota de Flávio, mas concordou que há uma série de líderes na direita.
“A direita tem um grande número de quadros com qualidade capacidade e legitimidade nesta eleição e nas eleições subsequentes”, afirmou Marinho. “Flavio só tem esse caminho. A ele não restou outra opção.”
Michelle é projeto para o futuro

Nessa situação de poucas opções para o PL, avalia o ex-oposicionista Marcelo Ramos, Valdemar Costa Neto aposta na ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF). Na terça-feira, ele se reuniu com ela e divulgou uma foto dos dois dizendo que ambos estavam em “conversa sobre futuro”.
Michelle chegou a brigar com Flávio Bolsonaro, não fez campanha ostensiva para ele no segundo turno. Ele era uma das preferidas por Valdemar para tentar a Presidência contra Lula. Mas, da cadeia, o ex-presidente Jair Bolsonaro exigiu que o candidato fosse Flávio, apesar de todos os problemas criminais conhecidos do filho primogênito.
“Valdemar ou está no poder ou está na expectativa do poder”, resumiu Marcelo Ramos.
Entre na conversa da comunidade