Derrotado no segundo turno da eleição do último domingo (28), um resultado reconhecido até por seus aliados, o senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou no final da tarde de hoje, em suas redes sociais, uma carta em que se dizia “o verdadeiro presidente eleito” do país. Logo depois, porém, apagou o texto e publicou outro substitutindo o termo por “líder do Brasil”.
Essa carta foi o primeiro pronunciamento público de Flávio após deixar o país e aportar hoje nos Estados Unidos.
Flávio afirmou, sem apresentar provas, que houve uma “fraude” na eleição presidencial. Criticou a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de estender o horário de votação por duas horas — um pedido inicialmente feito ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pela campanha do incumbente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas que ele próprio repetiu. O senador também disse que, ao longo de toda a campanha, “houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição”.
Reclamando de ter recebido uma ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes para entregar seus passaportes mesmo sem ter nenhum mandado de prisão contra si, o senador afirmou que resolveu sair do Brasil por se considerar injustamente perseguido assim como seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política. Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os EUA, onde estamos em segurança”, disse.
O senador acrescentou que pretende liderar a oposição ao governo Lula de lá. “Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista. Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros”, afirmou.
A apuração das urnas pelo TSE no domingo apontou que Lula teve 64.256.232 de votos, o equivalente a 51,79% dos válidos, e Flávio teve 59.826.041 de votos, ou 48,21%.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, publicou nota oficial na segunda-feira (26) reconhecendo a vitória do presidente Lula, mas cobrou esclarecimentos sobre o que chamou de medidas “eleitoreiras”, com “ampliação de gastos públicos”.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que participou ativamente da campanha de Flávio, divulgou uma nota hoje dizendo que entende a “indignação” do senador, mas que é preciso “respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”. “O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel. É assim, respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a nossa democracia”, afirmou.
Apoio de Milei e Trump
Na carta de hoje, Flávio agradeceu ao presidente argentino, Javier Milei, e ao presidente americano, Donald Trump, por terem ajudado na sua viagem. Mais cedo, o governo argentino contou que o senador cruzou a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones, ontem à noite. Ele, sua esposa e as duas filhas chegaram em Miami, nos EUA, hoje de manhã, a bordo de um jato particular.
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