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G20 nos EUA: entenda o evento, os objetivos e o papel do Brasil

Encontro de chanceleres começou em meio a divergências sobre guerras; cúpula de líderes está prevista para dezembro

G20 nos EUA tem Vieira e Rubio. | Divulgação/Itamaraty
G20 nos EUA tem Vieira e Rubio. | Divulgação/Itamaraty

Ministros das Relações Exteriores das principais economias do mundo se reúnem nesta sexta-feira (30) e no sábado (31), em Atlanta, nos Estados Unidos, para uma rodada de discussões do G20. O encontro ocorre em meio a divergências sobre as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, que ameaçam dificultar a construção de consensos entre os participantes.

A reunião é presidida pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e conta com a participação do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.

A expectativa é discutir temas como segurança energética, cadeias de suprimentos, comércio internacional e cooperação econômica. Os assuntos também envolvem o desenvolvimento da inteligência artificial e a disputa pelo acesso a minerais considerados estratégicos.

A agenda americana também inclui a iniciativa Pax Silica, defendida por Rubio, que busca aproximar países preocupados com o domínio da China sobre terras raras e outros minerais críticos. Apesar das prioridades econômicas dos Estados Unidos, os conflitos internacionais ganharam destaque no primeiro dia de reuniões.

O que é o G20?

O G20, sigla para Grupo dos Vinte, é um fórum internacional de cooperação econômica e política que reúne as principais economias desenvolvidas e emergentes do mundo. O grupo é formado por 19 países e dois organismos regionais: a União Europeia e a União Africana.

Os integrantes representam cerca de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, mais de 75% do comércio internacional e aproximadamente dois terços da população do planeta. Além de questões econômicas e financeiras, as discussões abrangem temas como comércio, energia, desenvolvimento sustentável, saúde, agricultura e mudanças climáticas.

A presidência do grupo é rotativa e muda anualmente. Neste ano, os Estados Unidos estão à frente dos trabalhos. Ao longo do ano, são realizadas reuniões ministeriais e encontros técnicos para preparar os debates e propostas que chegam à cúpula de chefes de Estado e de governo.

O encontro deste mês é uma etapa preparatória para a cúpula de líderes, marcada para 14 e 15 de dezembro, em Miami, também nos Estados Unidos.

O G20 também ocorre poucos dias antes das eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para 3 de novembro. Segundo as pesquisas, os resultados podem deixar Trump sem maioria nas duas Casas do Congresso.

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Papel do Brasil no encontro

O Brasil participa da reunião em Atlanta por meio do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A presença do chanceler também chama atenção pelo contexto das relações diplomáticas entre Brasília e Washington.

Nesta sexta-feira, Vieira cumprimentou Marco Rubio antes do início da primeira sessão do encontro. O aperto de mãos foi o primeiro contato entre os dois desde as recentes tensões envolvendo o governo de Donald Trump e a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos após a eleição presidencial.

Apesar da expectativa em torno do encontro, não havia previsão de uma reunião bilateral entre os dois chanceleres. Vieira também se reuniu com o chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, e tinha um encontro previsto com o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband.

Rubio em reunião bilateral com o chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar. | Divulgação/Itamaraty

Rubio em reunião bilateral com o chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar. | Divulgação/Itamaraty

Como foi o primeiro dia do G20?

Esta sexta, o primeiro dia da reunião, foi marcado por divergências diplomáticas relacionadas às guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Na abertura, Marco Rubio pediu que os ministros trabalhassem juntos para ampliar a estabilidade geopolítica e a prosperidade econômica.

O secretário de Estado afirmou que as crises internacionais representam ameaças ao abastecimento de energia e alimentos, ao comércio e à liberdade de navegação. Ele defendeu a coordenação de respostas entre os países para proteger interesses comuns.

“Temos a missão, em nome das nações que representamos, de trabalhar juntos para coordenar respostas às crises emergentes e proteger nossos interesses comuns”, declarou.

A presença do chanceler russo, Serguei Lavrov, provocou desconforto entre representantes de países ocidentais. A tradicional foto oficial de família do G20 chegou a ser retirada da programação depois que autoridades europeias e outros participantes se opuseram a aparecer ao lado do representante de Moscou.

“Em hipótese alguma haverá uma foto de família com os parceiros europeus e o sr. Lavrov juntos porque, como eu disse ontem, não há normalidade nas relações com a Rússia”, disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul.

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A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, não participou da sessão de abertura. Segundo sua porta-voz, ela estava a caminho do encontro após participar de uma cúpula entre Canadá e União Europeia. A África do Sul também ficou de fora porque não foi convidada pelos Estados Unidos, que exercem a presidência do grupo neste ano. A Ucrânia também não foi convidada.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que Lavrov apresentou informações falsas sobre a guerra na Ucrânia durante as discussões. Segundo ela, os representantes europeus tiveram a oportunidade de responder às declarações do chanceler russo.

As divergências também envolvem a posição dos Estados Unidos sobre o conflito. A chefe da política externa da União Europeia defendeu maior apoio à Ucrânia e medidas para responsabilizar a Rússia pela invasão.

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