A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta quinta-feira (5) uma operação contra uma rede suspeita de explorar apostas ilegais e lavar dinheiro, com movimentações financeiras de aproximadamente R$ 739 milhões. A Justiça determinou o bloqueio de contas e ativos de 184 pessoas físicas e jurídicas, até o limite de R$ 3,483 bilhões.
Batizada de Operação Azzardo, a ação investiga o uso de dezenas de empresas de fachada para receber pagamentos de plataformas de apostas não autorizadas, concentrar os valores e redistribuir o dinheiro, inclusive por meio de criptoativos.
Entre as empresas utilizadas para receber transferências por Pix estavam uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, ambas com endereço declarado em Sobradinho, no Distrito Federal.
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Cerca de 200 policiais civis participam da operação, que reúne equipes do Distrito Federal, São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. Somente no Distrito Federal, são cumpridos 24 mandados de busca e apreensão.
Na capital paulista, as diligências ocorrem na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em Pinheiros, e no polo empresarial da Vila Olímpia, entre outros locais. Em Goiás, há buscas em Goiânia, Planaltina de Goiás e Valparaíso de Goiás.
Como funcionava o esquema
A investigação começou há cinco meses, após a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda identificar plataformas de apostas de quota fixa, conhecidas como bets, que operavam sem autorização federal.
As diligências revelaram empresas abertas entre fevereiro e julho de 2026, com capitais sociais idênticos e endereços concentrados em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia.
Nos locais informados, os policiais encontraram imóveis vazios e estabelecimentos comerciais diferentes daqueles registrados. Em um único lote de Ceilândia, dez empresas utilizavam o mesmo número de telefone.
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De acordo com a PCDF, essas empresas eram utilizadas para receber os pagamentos das apostas e transferir os valores para outras pessoas, empresas e instituições financeiras.
Parte do dinheiro também era convertida em criptoativos, o que passou a ser investigado como possível mecanismo de lavagem de dinheiro.
Fintech de São Paulo também é investigada
A operação também tem como alvo uma fintech de São Paulo, autorizada pelo Banco Central a atuar como sociedade de crédito direto.
Segundo a investigação, simulações de apostas realizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas mostraram que os pagamentos por Pix eram direcionados a contas de empresas de fachada mantidas nessa instituição.
Dados financeiros da fintech e de empresas do mesmo grupo apontaram movimentação de aproximadamente R$ 1 bilhão, incluindo transferências para empresas investigadas e pagamentos relacionados a plataformas de apostas sem autorização.
A instituição financeira, duas empresas do mesmo grupo e seus dirigentes são alvos de buscas e bloqueios patrimoniais.
A polícia ressaltou que, no caso da fintech, o bloqueio judicial atinge apenas os recursos próprios da empresa, preservando as contas de clientes que não são investigados.
Justiça determina bloqueios e suspensão de empresas
O Juízo das Garantias de Sobradinho autorizou medidas patrimoniais contra 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas, com limite global de R$ 3,483 bilhões.
A decisão também determinou ainda a suspensão dos CNPJs e registros comerciais de 100 empresas e empresários individuais, além de proibir a abertura de novas contas bancárias pelos investigados durante 90 dias.
A Justiça também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.
Os investigados poderão responder por exploração de loteria não autorizada, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa.
Segundo a PCDF, a soma das penas previstas para esses crimes pode chegar a 33 anos de prisão, dependendo das circunstâncias.
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