- Cientistas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern) mediram pela primeira vez a violação de carga-paridade (CP) em bárions, especificamente no bárion lambda-beauty.
- A pesquisa foi realizada entre 2011 e 2018 no Grande Colisor de Hádrons (LHC) e publicada na revista Nature.
- Os pesquisadores observaram que o bárion lambda-beauty se decompunha em prótons e mésons, enquanto sua versão de antimatéria se transformava em antiprótons e antimésons.
- A versão de matéria teve uma probabilidade de decaimento alguns pontos percentuais maior do que a de antimatéria, com uma discrepância de menos de 1 em 5 milhões.
- A descoberta pode ajudar a explicar a predominância de matéria no Universo, conforme o modelo do Big Bang.
Recentemente, cientistas do Cern realizaram uma descoberta significativa ao medir pela primeira vez a violação de carga-paridade (CP) em bárions, especificamente no bárion lambda-beauty. O estudo, publicado na revista Nature, revela um desequilíbrio sutil que pode ajudar a explicar a predominância de matéria no Universo.
A pesquisa, que envolveu uma colaboração internacional, foi realizada entre 2011 e 2018 no Grande Colisor de Hádrons (LHC). Durante as colisões de prótons, os pesquisadores observaram que o bárion lambda-beauty se decompunha em prótons e mésons, enquanto sua versão de antimatéria, o bárion lambda antibeauty, se transformava em antiprótons e antimésons. A análise mostrou que a versão de matéria do decaimento era alguns pontos percentuais mais provável do que a de antimatéria, com uma discrepância que tem menos de 1 em 5 milhões de chances de ocorrer por acaso.
Xueting Yang, estudante de pós-graduação da Universidade de Pequim e principal autora do estudo, destacou a importância dessa descoberta para entender as assimetrias entre matéria e antimatéria. O modelo do Big Bang sugere que deveria haver quantidades iguais de ambas, mas a aniquilação entre elas resultou em um Universo predominantemente composto por matéria.
A violação de CP observada em bárions é um avanço importante, pois a matéria comum do Universo é composta por essas partículas. Charles Young, do Laboratório Nacional de Aceleração SLAC, ressaltou que esta é a primeira medição desse fenômeno em bárions, o que pode contribuir para a compreensão da composição do Universo.
Embora os resultados estejam alinhados com o modelo padrão da física de partículas, eles oferecem uma oportunidade para refinar previsões teóricas. Yang enfatizou que a previsão teórica para decaimentos de bárions ainda é imprecisa, o que dificulta comparações com os resultados experimentais. Novos experimentos podem revelar fontes adicionais de violação de CP, ampliando o entendimento sobre a origem do Universo.
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