- A falta de saneamento básico no Brasil afeta mais de 90 milhões de pessoas, com trinta milhões sem acesso a água potável em casa.
- O marco legal de 2020 estabelece que até 2033, noventa e nove por cento da população deve ter acesso à água e noventa por cento ao tratamento de esgoto.
- Desde a implementação da legislação, mil setecentos e noventa e três municípios passaram a ser atendidos por empresas privadas, com investimentos previstos de R$ 178 bilhões.
- A desigualdade social agrava a situação, afetando especialmente mulheres, negros e indígenas, com um custo estimado de R$ 170 bilhões em internações por doenças relacionadas à água contaminada em 2023.
- Apesar dos avanços, mil setecentos e trinta e quatro municípios ainda não têm plano de saneamento básico e o investimento per capita é de apenas R$ 124 por habitante por ano.
A falta de saneamento básico no Brasil continua a ser um desafio crítico, afetando mais de 90 milhões de pessoas. Dados do Instituto Trata Brasil, apresentados por André Machado durante o ESG Summit 2025, revelam que 30 milhões de brasileiros não têm acesso a água potável em casa. A universalização do saneamento, prevista para 2033, exige uma colaboração mais eficaz entre o Estado e a iniciativa privada.
O marco legal de 2020 estabeleceu metas ambiciosas: 99% da população deve ter acesso à água e 90% ao tratamento de esgoto até 2033. Contudo, a capacidade de investimento público é limitada, o que levou a um aumento na participação de empresas privadas. Desde a implementação da legislação, 1.793 municípios passaram a ser atendidos por essas empresas, um crescimento de mais de 500%. Os contratos firmados preveem investimentos de R$ 178 bilhões.
A desigualdade social é um fator agravante nesse cenário. Mulheres, negros e indígenas são os mais afetados pela falta de saneamento, com famílias cuja renda mensal não ultrapassa R$ 2.400. Em 2023, 344 mil internações foram registradas devido a doenças relacionadas à água contaminada, resultando em um custo estimado de R$ 170 bilhões. O saneamento básico é fundamental para a saúde, educação e produtividade, impactando diretamente a qualidade de vida.
Iniciativas e Desafios
A Afya, responsável pela gestão de 33 faculdades de medicina, busca promover a equidade na saúde. 65% das instituições estão localizadas nas regiões Norte e Nordeste, resultando em uma redução de quase 20% nas internações por doenças crônicas. A empresa também realizou mais de 1 milhão de atendimentos médicos gratuitos em 2023.
Apesar dos avanços nas concessões, 1.734 municípios ainda não possuem um plano de saneamento básico. O investimento per capita é insuficiente, com apenas R$ 124 por habitante por ano, quando o ideal seria R$ 223. Além disso, a regulação é um ponto crítico, exigindo agências reguladoras robustas para garantir a eficácia dos contratos e a responsabilidade social das empresas.
A situação do saneamento básico no Brasil demanda uma ação coordenada entre governo, empresas e sociedade civil para que se possa alcançar a universalização e, assim, reduzir as desigualdades sociais.
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