Os legisladores da Louisiana rejeitaram, pela terceira vez consecutiva, um projeto de lei que permitiria que meninas menores de 17 anos, vítimas de estupro, realizassem um aborto. Durante a reunião, houve debates emocionais, com relatos de mães que enfrentaram situações semelhantes. A autora do projeto, a deputada Delisha Boyd, argumentou que as atuais leis forçam essas jovens a levar a gravidez até o fim. Por outro lado, a deputada Patricia Moore, que também compartilhou sua experiência pessoal, expressou sua luta interna entre a vida e a morte, citando suas crenças religiosas. O projeto foi rejeitado com um voto de 3 a 9, e a luta por exceções em leis de aborto na Louisiana continua, em um estado onde as restrições são severas. Desde que a lei de aborto entrou em vigor em 2022, após a decisão da Suprema Corte que anulou Roe v. Wade, as únicas exceções permitidas são em casos de risco à vida da mãe ou em gestações inviáveis.
Legisladores da Louisiana rejeitam proposta de aborto para vítimas de estupro
BATON ROUGE, La. — Por terceiro ano consecutivo, a Assembleia Legislativa da Louisiana rejeitou um projeto de lei que permitiria o aborto para vítimas de estupro menores de 17 anos. A votação ocorreu em uma reunião de comitê marcada por debates emocionais, onde legisladores compartilharam relatos pessoais.
A proposta, apresentada pela deputada democrata Delisha Boyd, visava incluir o estupro na lista restrita de exceções à proibição quase total do aborto no estado. Boyd argumentou que as jovens vítimas de estupro são forçadas a levar a gravidez até o fim, destacando que “se somos realmente pró-vida, devemos lutar pela vida dessas crianças”.
Entre os opositores, a deputada democrata Patricia Moore, que revelou ter sido concebida após o estupro de sua mãe, expressou suas crenças religiosas e a dificuldade em tomar uma decisão sobre a medida. Moore mencionou um caso de uma menina de nove anos grávida em sua região e questionou o que poderia resultar de tal situação.
Debates acalorados
A proposta foi derrotada com um placar de 3 a 9, com dois democratas se unindo aos republicanos na votação. A Louisiana, conhecida por suas rígidas leis sobre o aborto, não possui exceções para casos de estupro, ao contrário de outros estados que permitem essa possibilidade.
A lei de aborto da Louisiana entrou em vigor em 2022, após a decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos que anulou o caso Roe v. Wade. Atualmente, apenas quatro dos doze estados que impõem proibições ao aborto em todas as etapas da gravidez oferecem exceções em casos de estupro.
Estudos indicam que entre julho de 2022 e janeiro de 2024, mais de 64 mil gravidezes resultantes de estupro ocorreram em estados onde o aborto é amplamente proibido. A luta por exceções à lei de aborto na Louisiana continua, refletindo um debate intenso e emocional entre legisladores e a sociedade.
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