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Guerra do carbono: como a luta ambiental se intensifica globalmente

Gastos militares globais atingem US$ 2,7 trilhões em 2024, enquanto financiamento climático enfrenta déficit de US$ 1,3 trilhão na COP30.

Tanque alemão Leopard-2A4 doado para a Ucrânia dispara durante treinamento (Foto: Genia Savilov/AFP)
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  • Desde o Protocolo de Kyoto, as emissões de gases de efeito estufa das atividades militares não são contabilizadas, justificadas pela segurança nacional.
  • Em 2024, os gastos militares globais atingiram US$ 2,7 trilhões, um aumento de quase 10% em relação ao ano anterior.
  • As atividades bélicas representam 5,5% das emissões globais, superando a aviação civil e metade das emissões do desmatamento.
  • O Pentágono é o maior consumidor de petróleo do mundo e, se fosse um país, estaria entre os quatro maiores emissores de carbono.
  • A crescente crise climática contrasta com o aumento dos gastos militares, com países como Estados Unidos, China e Rússia respondendo por 60% desse total.

Desde o Protocolo de Kyoto, as emissões de gases de efeito estufa provenientes de atividades militares não são contabilizadas, uma omissão justificada pela segurança nacional. Essa falta de transparência persiste, mesmo com o reconhecimento retórico do impacto do carbono militar no Acordo de Paris de 2015. Atualmente, as atividades bélicas são responsáveis por 5,5% das emissões globais, superando a aviação civil e metade das emissões do desmatamento.

Em 2024, os gastos militares globais atingiram US$ 2,7 trilhões, um aumento recorde de quase 10% em relação ao ano anterior. Esse crescimento, o maior desde a Guerra Fria, contrasta com a busca por financiamento climático, que visa apoiar principalmente as nações mais vulneráveis. Enquanto isso, menos da metade desse valor, US$ 1,3 trilhão, é o que se espera arrecadar na COP30 para combater as mudanças climáticas.

As forças armadas, se fossem um país, estariam entre os quatro maiores emissores de carbono do mundo, superando nações como Portugal e Suécia. O Pentágono, por exemplo, é o maior consumidor de petróleo globalmente. Além das emissões diretas, os impactos socioambientais incluem a destruição de infraestrutura, incêndios e crises humanitárias, que geram migrações forçadas e aumentam a demanda por recursos naturais.

Estudos indicam que a destruição e reconstrução de áreas em conflito, como Gaza, resultam em emissões de 31 milhões de toneladas de CO2, enquanto o conflito na Ucrânia gerou cerca de 200 milhões de toneladas nos últimos três anos. Sem a obrigação de reportar suas emissões, a responsabilização pelos danos socioambientais se torna difícil.

Em um cenário de crescente crise climática, a prioridade global parece ser o aumento dos gastos com armamentos, com países como EUA, China, Rússia, Alemanha e Índia respondendo por 60% desse total. A guerra pela paz, portanto, se torna uma luta também contra a mudança climática, exigindo uma abordagem coletiva e cooperativa para enfrentar os desafios globais.

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