Em Alta NotíciasPessoasConflitosAcontecimentos internacionaisPolítica

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

93% dos brasileiros querem se exercitar, mas menos da metade mantém rotina, revela estudo inédito

Pesquisa da Decathlon revela que 56% dos brasileiros não atingem o nível mínimo de atividade física recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

Brasileiro tem interesse em se exercitar, mas não mantém rotina. Imagem: FreePik.

O brasileiro aprendeu a valorizar o exercício físico. No entanto, ainda não conseguiu incorporá-lo à rotina. Os dados mais recentes ajudam a dimensionar esse descompasso. Segundo um estudo realizado pela Decathlon,93% dos brasileiros afirmam querer se exercitar, mas apenas 44% conseguem manter uma prática regular. A diferença é estrutural e ajuda a explicar por que, […]

O brasileiro aprendeu a valorizar o exercício físico. No entanto, ainda não conseguiu incorporá-lo à rotina.

Os dados mais recentes ajudam a dimensionar esse descompasso. Segundo um estudo realizado pela Decathlon,93% dos brasileiros afirmam querer se exercitar, mas apenas 44% conseguem manter uma prática regular. A diferença é estrutural e ajuda a explicar por que, mesmo com a expansão das academias e da cultura fitness, o país segue com níveis elevados de sedentarismo.

Brasil é um dos maiores mercados de academias do mundo, mas brasileiros se exercitam pouco

Hoje, o Brasil reúne cerca de 50 mil academias e figura entre os maiores mercados do mundo. Ainda assim, 56% população adulta não atinge o nível mínimo de atividade física recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

A contradição revela menos um problema de comportamento e mais uma dificuldade de adaptação: o exercício se tornou desejável, mas ainda não é viável para todos.

País não é sedentário por falta de interesse

Se há um dado que sintetiza o diagnóstico, ele não está na intenção, mas na trajetória. O estudo mostra que 76% dos brasileiros já foram ativos em algum momento da vida e 70% pretendem começar a se exercitar ainda este ano .

O Brasil não é um país sedentário por falta de interesse. É um país intermitente. Começa, interrompe, recomeça.

A dificuldade está na continuidade e depende menos de decisão individual do que de condições concretas: tempo, acesso, segurança e estabilidade de rotina.

Falta de tempo é apontada como um dos principais problemas

A explicação mais imediata aparece nas respostas dos próprios brasileiros. Eles apontam falta de tempo, de motivação e de dinheiro como os principais motivos para não fazerem exercício de modo disciplinado. Mas, isolados, esses fatores dizem pouco. O que o estudo evidencia é que o exercício disputa espaço com uma rotina de ocupações. Trabalho, deslocamento, responsabilidades familiares e uma vida cada vez mais mediada por telas criam um ambiente em que o tempo livre é insuficiente.

Seguem as principais alegações do brasileiro para não realizar exercícios físicos:

  • Desmotivação: 45% (o maior entrave individual).
  • Falta de Tempo: 39% (conflito com rotina de trabalho e deslocamento).
  • Custo: 31% (barreira financeira para acesso a infraestrutura).
  • Falta de Companhia: 18% (dificuldade em treinar sozinho).
  • Saúde: 17% (limitações físicas pré-existentes).
  • Insegurança e Assédio: 16% das mulheres (sobe para 23% na Geração Z).
  • Desconforto com o Ambiente: 15% não se sentem bem em academias.
  • Julgamento Estético: 9% têm receio de críticas ao próprio corpo.
  • Cuidado com Filhos: 6% por falta de rede de apoio para deixar as crianças.
  • Desorientação: 10% não sabem como ou por onde começar.
  • Infraestrutura Deficiente: 8% citam falta de locais ou equipamentos próximos.
  • Classe Social: Na classe C, o tempo é o maior vilão; nas classes A/B, a motivação.
  • Gênero: Homens alegam mais fatores internos (tempo/vontade); mulheres enfrentam mais fatores externos (custo/assédio/filhos).
  • Geração Z: É a faixa que mais sofre com a sensação de ambiente hostil e falta de recursos financeiros.

Não por acaso, o problema não é começar, mas manter. O exercício, nesse contexto, deixa de ser uma escolha simples e passa a depender da organização estrutural da vida cotidiana.

Pessoas de classe social mais alta conseguem se exercitar com maior frequência

A desigualdade aparece de forma clara quando se observa quem consegue manter uma rotina ativa.

Entre os mais ricos, o exercício é mais frequente, mais estruturado e mais diverso. Há mais tempo disponível, maior acesso a academias e possibilidade de experimentar diferentes modalidades. Já nas classes mais baixas, a prática tende a ser mais irregular e condicionada ao que está disponível no entorno.

Não se trata apenas de renda, mas de acesso a espaços, infraestrutura e condições mínimas de permanência.

O resultado é um padrão previsível: quanto maior a renda, maior a consistência. E, ao longo do tempo, essa diferença se acumula. Para as mulheres, a dificuldade é ainda maior

Embora os níveis de exercícios físicos sejam ainda maiores, os obstáculos são mais complexos. As entrevistadas mencionaram questões como segurança, sobrecarga doméstica e experiências negativas como principais motivos para realizarem pouca atividade física. 

Uma parcela relevante relata já ter sofrido assédio ou discriminação durante a prática esportiva . Nesse cenário, o problema deixa de ser apenas logístico e passa a ser também ambiental.

Praticar esportes passou a simbolizar disciplina e autocuidado. Imagem: Freepik,

O exercício passou a ser eixo da vida, não mais um complemento

Entre aqueles que conseguem manter a rotina, o papel do exercício mudou.

O estudo mostra que praticantes ativos não apenas treinam com frequência, mas organizam a vida para que consigam treinar. Em média, praticam mais de três atividades diferentes e, nos casos mais consistentes, superam com folga o mínimo recomendado de atividade física 

O exercício deixa de ser um item da agenda para se tornar uma atividade importante. Ele estrutura horários, influencia hábitos e orienta escolhas cotidianas.

Essa mudança se conecta a um fenômeno mais amplo: o corpo deixou de ser apenas biológico e passou a ser simbólico.

O estudo indica que a atividade física ocupa hoje um lugar central na construção de identidade. O corpo treinado comunica disciplina, constância e capacidade de gestão do próprio tempo.

Essa lógica é reforçada por uma cultura crescente de monitoramento. A maioria dos praticantes acredita que pode melhorar ainda mais na prática de atividade física. 

No fim das contas, o dado mais relevante talvez seja outro: o brasileiro já entendeu que precisa se mover. O exercício deixou de ser exceção e passou a fazer parte do que se espera de uma vida equilibrada.

O problema é que essa consciência ainda não se sustenta no dia a dia. Entre o desejo e a prática existe um intervalo concreto, de tempo, de acesso, de condições, que impede a continuidade.

E é nesse intervalo que o país segue travado: não por falta de vontade, mas por não conseguir transformar intenção em hábito.

Relacionados:

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais