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Brasil volta ao topo da burocracia global e vira o 3º país mais complexo do mundo para fazer negócios

Ranking internacional aponta que empresas no Brasil ainda gastam milhares de horas e bilhões de reais para lidar com impostos, burocracia e regras que mudam o tempo todo - um custo que trava investimentos, encarece produtos e reduz competitividade.

Imagem: Portal do Agronegócio.

Durante anos, abrir uma empresa no Brasil significava enfrentar filas, carimbos, papelada e uma burocracia quase impossível de entender. Parte disso mudou. O país digitalizou serviços, ampliou assinaturas eletrônicas e acelerou processos públicos. Mas, na prática, fazer negócios no Brasil continua sendo uma operação extremamente complexa – e cara. Em 2026, o Brasil voltou a […]

Durante anos, abrir uma empresa no Brasil significava enfrentar filas, carimbos, papelada e uma burocracia quase impossível de entender. Parte disso mudou. O país digitalizou serviços, ampliou assinaturas eletrônicas e acelerou processos públicos. Mas, na prática, fazer negócios no Brasil continua sendo uma operação extremamente complexa – e cara.

Em 2026, o Brasil voltou a subir no ranking dos países mais difíceis do mundo para empresas operarem. Segundo o Índice Global de Complexidade de Negócios, da TMF Group, o país ocupa agora a terceira posição global, atrás apenas de Grécia e México. No ano passado, estava em sexto lugar. Em 2022, chegou a liderar o ranking mundial.

O levantamento analisa 81 economias que representam mais de 90% do PIB global e tenta medir algo que normalmente não aparece nos discursos políticos: o custo operacional real de funcionar dentro das regras de um país.

Na prática, o ranking mede o tamanho da dificuldade para empresas lidarem com cobrança complexa de impostos, compliance, obrigações contábeis e várias outras questões. Além disso, também analisa a dificuldade para:

  • abertura e registro de empresas;
  • compliance;
  • regras trabalhistas;
  • folha de pagamento;
  • exigências regulatórias;
  • burocracia jurídica;
  • funcionamento de entidades empresariais.

O índice usa 292 indicadores distribuídos em três grandes áreas: contabilidade e tributação, recursos humanos e folha de pagamento, e gestão corporativa global.

Brasil tem sistema tributário em várias camadas, enfrenta mudanças frequentes e regras que variam entre Estado, municípios e União

E o país aparece entre os piores justamente porque concentra problemas em praticamente todas elas.

Segundo o relatório, a complexidade brasileira é impulsionada por um “sistema tributário em múltiplas camadas”, além de mudanças regulatórias frequentes e regras que variam entre União, estados e municípios.

Na prática, uma empresa pode cumprir exigências federais e ainda assim enfrentar interpretações diferentes em cada estado ou prefeitura.

O documento afirma que empresas estrangeiras dependem fortemente de especialistas locais para conseguir operar no país, especialmente porque processos regulatórios costumam atrasar abertura de negócios, licenciamentos e registros empresariais.

A consequência disso aparece diretamente nos custos.

Empresas brasileiras costumavam levam cerca de 1.500 horas anuais para calcular, organizar e pagar impostos

Durante anos, estudos internacionais mostraram que empresas no Brasil gastavam mais de 1.500 horas anuais apenas para calcular, organizar e pagar impostos – um dos índices mais altos do mundo. Em economias desenvolvidas, esse processo frequentemente leva menos de 200 horas por ano.

Isso significa manter equipes tributárias robustas, departamentos jurídicos maiores, consultorias especializadas e estruturas de compliance caras apenas para conseguir operar sem riscos regulatórios.

O custo acaba espalhado por toda a economia.

Empresas gastam mais para funcionar. Produtos ficam mais caros. Pequenos negócios enfrentam mais dificuldade para crescer. Investidores estrangeiros entram no país com maior cautela. E parte do dinheiro que poderia ir para inovação, contratação ou expansão acaba consumido pela burocracia.

O relatório também destaca que a reforma tributária brasileira criou um paradoxo.

Embora tenha sido desenhada para simplificar o sistema no longo prazo, ela acabou aumentando a complexidade no curto prazo. Segundo a TMF, novas regras fiscais, mudanças cambiais e alterações regulatórias implementadas recentemente exigem que empresas reorganizem operações e adaptem processos internos continuamente.

Ou seja: o Brasil tenta simplificar o futuro enquanto cria uma fase de transição extremamente difícil no presente.

Outro fator citado pelo estudo é a instabilidade política e econômica recorrente do país. O relatório afirma que investidores estrangeiros passaram a fazer análises “extremamente detalhadas” e aplicar estratégias rigorosas de mitigação de risco antes de entrar no mercado brasileiro.

Ao mesmo tempo, o documento reconhece avanços.

Digitalização começa a apresentar resultados

A digitalização de processos, o uso crescente de assinaturas eletrônicas e os registros digitais começaram a reduzir parte da pressão administrativa e acelerar procedimentos que antes dependiam de etapas manuais demoradas.

Mas a própria TMF deixa claro que digitalizar não significa necessariamente simplificar.

Em muitos casos, a burocracia apenas mudou de formato: saiu do papel e foi para o computador – mas continua exigindo tempo, dinheiro, especialistas e adaptação constante.

E é justamente isso que mantém o Brasil entre os ambientes de negócios mais complexos do planeta.

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