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Menos de 2% das cidades brasileiras concentram 50% dos assassinatos do país

Atlas da Violência mostra que o Ceará e a Bahia concentram a maior parte dos municípios mais violentos do Brasil.

Dead body of a man is on the ground, covered in white cloth. Conception of murder, homicide.

A violência no Brasil está cada vez mais concentrada. O país registrou 42.590 homicídios em 2024, o menor número dos últimos 11 anos. O levantamento é do Atlas da Violência 2026, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Mas os dados revelam um fenômeno importante: metade de todos os assassinatos do país […]

A violência no Brasil está cada vez mais concentrada. O país registrou 42.590 homicídios em 2024, o menor número dos últimos 11 anos. O levantamento é do Atlas da Violência 2026, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Mas os dados revelam um fenômeno importante: metade de todos os assassinatos do país aconteceu em apenas 99 municípios.

Na prática, isso significa que menos de 2% das cidades brasileiras concentram metade das mortes violentas registradas no país.

Ceará e Bahia concentra seis dos 10 municípios mais violentos; Ceará vem em seguida 

O ranking dos municípios mais violentos do Brasil em 2024 escancara a concentração da violência no Nordeste. 

Segundo o Atlas da Violência, Maranguape (CE) liderou o país com taxa estimada de 87,2 homicídios por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem:

2. Jequié (BA) – 79,4;

3. Maracanaú (CE) – 74,1;

4. Itapipoca (CE) – 74,0;

5. Caucaia (CE) – 72,9;

6. Juazeiro (BA) – 71,1;

7. Feira de Santana (BA) – 67,0;

8. Porto Seguro (BA) — 64,6;

9. Simões Filho (BA) — 64,0;

10. Camaçari (BA) — 62,9

Entre os 20 municípios com mais de 100 mil habitantes e maiores taxas de homicídio do país, 17 estão no Nordeste. 

Entre os estados, o Amapá registrou a maior taxa de homicídios do país em 2024, com 45,7 mortes por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3).

Na outra ponta, São Paulo teve a menor taxa do Brasil: 6,6 homicídios por 100 mil habitantes.

A violência deixou de ser um problema apenas das capitais

Um dos movimentos mais importantes identificados pelo Atlas é a interiorização da violência.

Segundo os pesquisadores, cidades médias passaram a registrar taxas de homicídio maiores do que muitas grandes metrópoles, indicando uma expansão territorial das facções criminosas e das disputas armadas fora das capitais tradicionais.

O relatório aponta que organizações criminosas ampliaram presença em municípios menores e passaram a atuar em atividades que vão muito além do tráfico de drogas, incluindo combustíveis, ouro, cigarros, bebidas e crimes virtuais.

Os homicídios ocultos podem mudar completamente o cenário

O Atlas também faz um alerta importante sobre os chamados “homicídios ocultos”. São mortes violentas registradas oficialmente como “causa indeterminada”, mas que provavelmente foram assassinatos. Usando modelos de inteligência artificial e análise estatística, os pesquisadores estimam que o Brasil pode ter registrado 49.673 homicídios em 2024, quase 7 mil a mais do que os números oficiais.

Isso significa que a queda da violência pode ter sido muito menor do que os indicadores apresentados pelo Atlas. 

Mais do que revelar onde a violência está hoje, os dados mostram como ela está mudando de forma no Brasil. 

Os homicídios ficaram mais concentrados, avançaram para o interior e passaram a acompanhar a expansão territorial e econômica das facções criminosas. Ao mesmo tempo, o crescimento dos chamados homicídios ocultos sugere que parte dessa violência pode sequer estar aparecendo nas estatísticas oficiais. 

Em outras palavras: por um lado, o país pode estar matando menos; por outro, pode estar tendo mais dificuldade para enxergar, registrar e controlar a própria violência. 

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