O governo Donald Trump anunciou hoje (28) que irá classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. A declaração provocou um “terremoto político” no Brasil, e escancarou uma disputa ideológica que já vinha crescendo nos bastidores entre governo e oposição. O anúncio foi feito pelo Secretário de […]
O governo Donald Trump anunciou hoje (28) que irá classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. A declaração provocou um “terremoto político” no Brasil, e escancarou uma disputa ideológica que já vinha crescendo nos bastidores entre governo e oposição.
O anúncio foi feito pelo Secretário de Estado americano, Marco Rubio, e passa a valer oficialmente em 5 de junho:
“A Administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a narcoterroristas”, afirmou Rubio.
Em suas redes sociais, afirmou também que “o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Sua atuação se estende por toda a nossa região e chega até o nosso país.”
Classificação impacta o combate ao narcotráfico internacional
Embora tenha impacto direto sobre investigações financeiras e combate ao narcotráfico, a medida rapidamente ultrapassou o campo da segurança pública e mergulhou no centro da polarização política brasileira.
De um lado, aliados de Donald Trump e do senador Flávio Bolsonaro tratam a decisão como um reconhecimento internacional de que o crime organizado brasileiro deixou de ser apenas um problema policial e se transformou em uma ameaça transnacional. Do outro, integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva enxergam na medida um precedente perigoso, capaz de abrir espaço para pressão diplomática, sanções econômicas e até maior influência americana sobre temas internos do Brasil.
A discussão ganhou força porque o anúncio aconteceu apenas dois dias após Flávio Bolsonaro visitar Trump nos Estados Unidos. O senador afirmou ter defendido pessoalmente a classificação das facções como terroristas e disse ter feito um “pedido expresso” ao republicano. No dia seguinte, ele também se reuniu com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para discutir o tema.
Apesar disso, o próprio governo americano admite que a decisão vinha sendo estudada havia meses. Ainda assim, a coincidência política foi suficiente para transformar o caso em munição eleitoral.
O gesto americano reforça as estratégias de cooperação para o combate internacional ao crime organizado defendidas pela oposição ao governo federal.
PCC e CV já atuam como estruturas internacionais de combate ao crime organizado
O grupo defende que PCC e CV já operariam como estruturas internacionais bilionárias, com influência em fronteiras, rotas de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro em diversos países. A ideia é que o enquadramento como terrorismo permita sufocar financeiramente as facções, ampliar cooperação internacional e endurecer o combate ao narcotráfico.
O argumento encontra eco no modelo defendido por Trump para a América Latina. Nos últimos meses, o republicano passou a adotar uma política externa mais agressiva contra carteis e grupos criminosos da região, associando o narcotráfico à segurança nacional americana. É nesse contexto que surge o chamado “Escudo das Américas”, coalizão internacional apoiada por Flávio Bolsonaro e voltada a ações conjuntas contra facções e cartéis.
Governo Lula teme intervenção norte-americana em questões nacionais
Já no governo Lula, a avaliação é cautelosa. Diplomatas brasileiros temem que a classificação ultrapasse o combate financeiro ao crime e produza efeitos geopolíticos imprevisíveis. O principal receio é que os EUA passem a utilizar o tema para ampliar pressão sobre o Brasil, especialmente em áreas ligadas a inteligência, sistema financeiro e segurança pública.
Embora a legislação americana não autorize automaticamente intervenções militares após uma classificação de terrorismo, integrantes do Itamaraty lembram que Washington já utilizou mecanismos semelhantes em outros países latino-americanos para justificar operações mais duras de combate ao narcotráfico.
Para aliados de Lula, existe o risco de que o conceito de “terrorismo” seja ampliado gradualmente até permitir ingerências externas em assuntos internos do país. Há também temor sobre impactos econômicos. Como o sistema financeiro internacional é fortemente conectado aos EUA, bancos e empresas brasileiras podem acabar submetidos a investigações, bloqueios ou sanções caso sejam suspeitos, mesmo indiretamente, de envolvimento com dinheiro ligado ao crime organizado.
O debate também revela uma diferença profunda entre as visões de direita e esquerda sobre segurança pública.
No fim, a decisão americana refletindo uma profunda divergência política: transformou PCC e CV em peças centrais da disputa eleitoral brasileira de 2026.
E trouxe Donald Trump de vez para dentro do debate político nacional.
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