O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a vitrine internacional da cúpula ampliada do G-7 para enviar recados sobre alguns dos temas que hoje mais tensionam a política global: guerra comercial, soberania nacional, desigualdade econômica e concentração de riqueza. Sem mencionar diretamente o presidente americano Donald Trump, Lula criticou o avanço de medidas protecionistas […]
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a vitrine internacional da cúpula ampliada do G-7 para enviar recados sobre alguns dos temas que hoje mais tensionam a política global: guerra comercial, soberania nacional, desigualdade econômica e concentração de riqueza.
Sem mencionar diretamente o presidente americano Donald Trump, Lula criticou o avanço de medidas protecionistas e o enfraquecimento da cooperação internacional em um momento de crescente instabilidade geopolítica.
“O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, afirmou.
A conferência foi realizada nesta terça-feira (16) em Évian-les-Bains, nos Alpes Franceses, em um contexto de aumento das tensões comerciais entre Washington e diversos parceiros internacionais, incluindo o Brasil.
Governo norte-americano pode voltar a taxar o Brasil
Nas últimas semanas, o governo americano anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros e intensificou o discurso de endurecimento contra organizações criminosas que atuam na América Latina.
Lula também aproveitou o discurso para ressaltar que o combate ao crime organizado respeite a soberania das nações:
“Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento. Um deles é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados”.
O foco na desigualdade
Grande parte da intervenção do presidente brasileiro foi dedicada ao tema da desigualdade global, uma das bandeiras mais frequentes de sua política externa. Lula argumentou que a distância entre países ricos e pobres continua crescendo e afirmou que os benefícios da prosperidade econômica permanecem concentrados em uma parcela cada vez menor da população mundial.
“A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo. Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado”.
Em seguida, o presidente chamou atenção para a concentração de riqueza nas mãos dos bilionários.
“O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários.”
A declaração foi interpretada por integrantes da delegação brasileira como uma referência ao empresário Elon Musk, cuja fortuna é frequentemente apontada em projeções de mercado como a mais próxima de atingir a marca de US$ 1 trilhão ( cerca de R$ 5,20 trilhões).
Desenvolvimento versus gastos militares
Outro ponto central do discurso foi a crítica ao aumento dos gastos militares em meio às dificuldades enfrentadas por organismos internacionais e programas de desenvolvimento.
Segundo Lula, os conflitos internacionais têm desviado recursos e atenção de desafios considerados urgentes para a população mundial.
“Guerras e conflitos também continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento. Os gastos militares anuais somam quase 3 trilhões de dólares. Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica.”
As declarações foram feitas durante a sessão ampliada do G-7, dedicada ao tema da reconstrução da solidariedade internacional e da formação de novas parcerias para o desenvolvimento.
Por que o G-7 é tão importante
O G-7 é um fórum informal que reúne as sete maiores economias industrializadas do mundo: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão.
Criado na década de 1970 para coordenar respostas às crises econômicas internacionais, o grupo passou a discutir também temas como segurança, comércio e energia. Além disso, também debatem tecnologia, clima e conflitos globais.
Embora apenas esses sete países integrem oficialmente o bloco, os anfitriões costumam convidar outras nações e organizações internacionais para reuniões ampliadas. O Brasil participa regularmente desses encontros e voltou a ser convidado pelo presidente francês Emmanuel Macron para a edição deste ano.
Mesmo sem integrar o grupo, a presença brasileira reflete o peso crescente do país em debates sobre desenvolvimento, clima, segurança alimentar e governança global.
As declarações de Lula ocorreram em um momento de aumento das tensões comerciais e geopolíticas no cenário internacional. Sem citar diretamente Trump ou os Estados Unidos, o presidente abordou temas que estão no centro dos debates entre as maiores economias do mundo: comércio, segurança, desigualdade e governança global.
Entre na conversa da comunidade