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Burca em São Paulo é moda histórica entre paulistanas

Paulistanas usavam baeta para cobrir rosto desde o século XVII; leis sucessivas tentaram proibi-la, com prisões e multas

Costume feminino de andar ‘rebuçada em baetas’ perdurou na cidade por boa parte dos séculos 17, 18 e 19; autoridades precisaram fazer leis sucessivas para combatê-lo
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  • Em São Paulo, entre os séculos dezessete a dezenove, mulheres usavam a burca brasileira, com rosto e corpo cobertos por baetas, o que gerou reação de autoridades.
  • Já em agosto de quarenta e nove, a lei proibiu o uso de rebuços e chapéus que escondiam a face, visando reduzir abusos e facilitar a fiscalização.
  • Em setenta e cinco, houve nova ordem proibindo sair às ruas com o rosto coberto, tanto para classes altas quanto para as populações pobres e escravas.
  • Em mil oitocentos e dez, o então príncipe regente autorizou nova proibição, determinando sanções e encaminhamentos para o Hospital dos Lázaros, com pena de prisão e multas.
  • A moda foi perdurando aos poucos até meados do século XIX, quando começou a cair de uso, restando apenas em situações extremas entre escravas e mulheres muito pobres.

Nos séculos 17 a 19, paulistanas chegaram a circular com rosto e corpo cobertos por bainhas de baeta preta, lembrando burcas do Oriente. A prática ganhou espaço na cidade de São Paulo, atraindo a atenção das autoridades desde cedo.

A história começa em 1649, quando leis já proibiam o uso de rebuços e chapéus pelas mulheres. Um alvará de outubro daquele mesmo ano reforçou a proibição de sair às ruas com a cara coberta, abrangendo todas as classes.

Em 1775, o governador Martim Lopes Lôbo de Saldanha proibiu o embuço, sob pena de prisão e multa, citando riscos de entrada em casas de homens e de crimes. A medida foi tomada durante a epidemia de varíola que afetava a cidade.

Ainda no século 18, a preferência pela baeta continuou entre paulistanas, inclusive entre pobres e escravas. Artistas estrangeiros que visitavam a vila, como Charles Landseer, registraram a visão de mulheres com o rosto coberto.

A questão voltou a ganhar força em 1810, quando Antônio José da Franca e Horta pediu ao príncipe regente que proibisse solenemente o uso de baetas. Em 30 de agosto de 1810, confirmou-se a proibição por ordem régia, com sanções previstas.

As penalidades incluíam multas e prisão; relatos apontam ainda regras de encaminhamento ao Hospital dos Lázaros para condenados. A Câmara Municipal registrou, nessa época, punições específicas para mulheres pobres, mulatas ou negras, com detalhamento de processos e prazos.

Ao longo do tempo, o costume foi perdendo força. Até meados do século 19 ainda havia registros de algumas mulheres embrulhadas, mas eles se reduziram a escravas e domésticas, diz o pesquisador que cita fontes da época. A moda, que já atrairia curiosos, foi sendo abandonada gradualmente.

Fontes consultadas apontam que a baeta era de tecido grosso usado desde o século 16, inicialmente entre a nobreza e, posteriormente, entre camadas mais pobres. A varíola, cicatrizes e a busca por discrição contribuíram para a persistência do costume até a virada do século.

Agradecimentos a pesquisadores da Câmara Municipal de São Paulo, que localizaram a legislação contra os rebuços de baeta. As fontes incluem acervos da Biblioteca Nacional e do HM da cidade, com registros detalhados das leis e dos altos custos envolvidos nas punições.

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