- O Brasil registrou a prisão de Jair Bolsonaro, ex-presidente, em agosto de 2025, tornando-se o décimo chefe do Executivo a ser detido e o quarto desde a redemocratização.
- Bolsonaro foi colocado em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica após o Supremo Tribunal Federal (STF) considerar que ele violou medidas judiciais em um caso de suposta articulação golpista.
- Antes de Bolsonaro, Fernando Collor de Mello foi preso em abril de 2025, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas cumpre pena em casa devido à idade e problemas de saúde.
- Michel Temer teve prisão decretada em 2019, mas ficou poucos dias detido e não foi condenado. Luiz Inácio Lula da Silva foi preso em 2018, cumpriu 580 dias e teve suas condenações anuladas em 2021.
- O Brasil se destaca por ter um número elevado de ex-presidentes presos, refletindo a instabilidade política e a atuação do Judiciário e do Ministério Público.
O período da República do Brasil é marcado por instabilidades, golpes, escândalos e consequentemente, prisões de ex-presidentes. No início de agosto de 2025, Jair Bolsonaro tornou-se o décimo chefe do Executivo brasileiro a ser preso, e o quarto desde a redemocratização. A partir daí, o Brasil reforça um traço raro entre as democracias atuais: ex-presidentes atrás das grades, ainda que temporariamente ou em regime domiciliar. Antes de Bolsonaro, nomes como Fernando Collor, Lula e Michel Temer já haviam enfrentado detenções. Em todos os casos recentes, todos estiveram ligados a acusações de corrupção ou crimes parecidos revelados por investigações da Operação Lava Jato.
A prisão de Bolsonaro
Bolsonaro foi colocado em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica após o Supremo Tribunal Federal (STF) entender que ele e aliados violaram medidas judiciais impostas no caso que investiga uma suposta articulação golpista em 2023. Segundo o ministro Alexandre de Moraes, o ex-presidente utilizava interlocutores para propagar desinformação nas redes sociais e atacar instituições democráticas, o que configura descumprimento de decisão judicial anterior.
Collor, Lula e Temer: os outros da lista recente
Antes de Bolsonaro, o último ex-presidente a ser preso foi Fernando Collor de Mello, em abril de 2025. Ele foi detido ao desembarcar em Maceió, após o STF confirmar a condenação a 8 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em um caso envolvendo contratos com a BR Distribuidora. Por ter mais de 70 anos e apresentar problemas de saúde, cumpre pena em casa, com monitoramento eletrônico.
Em 2019, Michel Temer também teve prisão decretada no âmbito da Operação Lava Jato, acusado de envolvimento em desvios nas obras da usina nuclear de Angra 3. A detenção durou poucos dias e foi substituída por medidas cautelares, sem resultar em condenação definitiva até hoje.
Já Luiz Inácio Lula da Silva foi preso em abril de 2018, após condenação em segunda instância no caso do tríplex do Guarujá. Cumpriu 580 dias de prisão em Curitiba, até que o STF derrubou a possibilidade de execução da pena antes do trânsito em julgado. Em 2021, o Supremo anulou todas as condenações da Lava Jato contra o petista, alegando que o então juiz Sérgio Moro atuou de forma parcial.
Presidentes presos antes da redemocratização
Desde a República Velha até a ditadura militar, ao menos dez ex-chefes de Estado já foram detidos, em contextos e circunstâncias diferentes.
Em 1922, o marechal Hermes da Fonseca foi preso após se opor a intervenções militares em estados da federação. Oito anos depois, Washington Luís foi deposto e detido durante a revolução que levou Getúlio Vargas ao poder.
Também passaram por situações semelhantes Artur Bernardes, acusado de incitar levantes; Café Filho, afastado e mantido em prisão domiciliar durante a crise política de 1955; Jânio Quadros, “confinado” em Corumbá após criticar a ditadura militar; e Juscelino Kubitschek, preso e vigiado pelo regime por atuar na oposição democrática.
Um histórico que marca a democracia
O Brasil se distingue de muitas democracias consolidadas pelo número elevado de ex-presidentes presos, reflexo da instabilidade política, da polarização e do papel cada vez mais ativo do Judiciário e do Ministério Público nas últimas décadas.
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