- O TikTok apresenta um novo desafio chamado “Homeless Man AI Prank” (*Pegadinha do Sem-teto de IA*), que utiliza inteligência artificial para criar imagens de um morador em situação de rua na casa do usuário.
- O jovem tira uma foto de sua casa, insere a figura de um homem desconhecido e envia a imagem para os pais, gerando reações de pânico.
- Em várias cidades dos Estados Unidos, pais acionaram a emergência, acreditando que havia um invasor em casa, resultando em mobilização policial.
- A polícia de Round Rock, no Texas, alertou que essas situações podem levar a respostas da SWAT, colocando todos em risco.
- O departamento de polícia de Salem, Massachusetts, criticou o desafio, chamando-o de “estúpido e potencialmente perigoso”, e destacou que reforça estereótipos negativos sobre pessoas em situação de rua.
O TikTok tem uma nova “moda” que está tirando boas risadas, mas também o sono de muita gente e preocupando autoridades. Chamado de “Homeless Man AI Prank” (*Pegadinha do Sem-teto de IA*), o desafio usa ferramentas de inteligência artificial para criar imagens hiper-realistas de um morador em situação de rua dentro da casa do usuário e o resultado é uma mistura de susto, confusão e até chamadas de emergência reais.
A dinâmica é simples: o jovem tira uma foto da sala, da cozinha ou da porta de casa, insere com IA a figura de um homem desconhecido, geralmente sujo, com barba longa, roupas rasgadas e expressão assustadora. Em seguida, envia a imagem para os pais dizendo algo como “esse cara apareceu aqui pedindo água” ou “ele disse que te conhece do trabalho”.
O que vem depois é puro caos. Os pais, obviamente, entram em pânico, e reagem de todas as formas possíveis: ligam pra polícia, gritam com o filho, mandam trancar portas e janelas. Tudo é gravado e postado no TikTok, gerando milhões de visualizações.
Quando a brincadeira vira caso de polícia
O problema é que nem todo mundo entende a piada. Em várias cidades dos EUA, pais realmente acionaram a emergência, achando que havia um invasor em casa. Viaturas foram enviadas, patrulhas mobilizadas e, em alguns casos, as autoridades chegaram prontas para uma operação de risco, só pra descobrir que tudo era um trote digital.
Segundo a polícia de Round Rock, no Texas, situações assim podem gerar até respostas da SWAT, o grupo de elite de operações especiais. “Isso coloca todo mundo em perigo, inclusive os próprios adolescentes”, disse o comandante Andy McKinney ao *The Verge*.
Em Salem, Massachusetts, o departamento de polícia também se manifestou, chamando o desafio de “estúpido, desumano e potencialmente perigoso”. Para eles, o meme não só desperdiça recursos públicos, mas também reforça estereótipos sobre pessoas em situação de rua, ao retratá-las como ameaça ou motivo de susto.
A linha tênue entre brincadeira e deepfake
A “pegadinha do sem-teto” é só mais um exemplo de como a banalização das ferramentas de IA pode sair do controle. O problema é que, com um clique, a fronteira entre o engraçado e o perigoso fica cada vez mais tênue. A brincadeira deixa de ser inofensiva e começa a tocar em temas sérios: ética, segurança e responsabilidade digital.
E o que acontece quando, em um dia de perigo real, as pessoas acharem que é mais uma montagem de IA?
Uma das fábulas de Esopo, escritor da Grécia Antiga, ilustra bem esses perigos. Em *O Menino que Gritou Lobo*, um jovem pastor, entediado com suas tarefas, decide pregar uma peça nos aldeões fingindo que um lobo estava atacando o rebanho. Os moradores correm para ajudar, mas logo percebem que era mentira — e o garoto se diverte às custas do susto coletivo. Dias depois, o lobo de verdade aparece. O pastor grita por socorro, mas ninguém acredita. A ajuda não vem, e o rebanho é devorado.
A lição atravessa séculos e se aplica ao presente: na boca do mentiroso, o certo é duvidoso. Portanto, em um mundo saturado de farsas digitais, o real corre o risco de perder a credibilidade.
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