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Escravo que popularizou o mac and cheese

James Hemings, chef escravizado de Thomas Jefferson, aprendeu técnicas na França e popularizou o macaroni and cheese nos Estados Unidos

Getty Images A black and white image of Hemings in Jefferson's Monticello kitchen (Credit: Alamy)
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  • James Hemings, escravizado de Thomas Jefferson, foi treinado na França e atuou como chef principal em Monticello, além de em Nova York e Filadélfia.
  • Em Paris, Hemings tornou-se chef de cuisine e pâtissier, sendo descrito como um dos primeiros chefs negros a receber treinamento francês nos Estados Unidos.
  • O prato conhecido hoje como mac and cheese surgiu na cozinha de Hemings, que preparava macarrão com leite e água, acrescentava queijo e assava; há indícios de que ele tenha trazido técnicas francesas para o prato.
  • A popularização nos Estados Unidos foi impulsionada pela imigração italiana, pela industrialização de massas e queijos, e pela popularização de versões enlatadas, como o mac and cheese da Kraft, lançado em 1937.
  • Hoje, o prato movimenta cerca de 2,9 bilhões de dólares e é consumido, em média, 22 vezes por pessoa ao ano; Hemings é reconhecido cada vez mais por sua influência na culinária americana.

Em 1784, antes de tornar-se presidente, Thomas Jefferson foi nomeado ministro dos EUA na França e levou James Hemings para acompanhá-lo. Hemings era um chef valioso, com status de escravo, que treinou na França para cozinhar no estilo da casa Monticello.

Ao retornar aos Estados Unidos, Hemings tornou-se o chef principal de Jefferson em Monticello, em Nova York e na Filadélfia. Seu domínio de técnicas francesas, como braise, poach e sauté, influenciou a cozinha doméstica da época, inclusive na preparação de macarrão com queijo.

O prato de massa assada, conhecido como macaroni pie, ganhou popularidade entre autoridades e figuras da sociedade leste-americana. A versão de Hemings combinava macarrão com leite, água, queijo e manteiga, antes de ir ao forno, prática que pode ter chegado de Paris.

A evolução do prato ganhou impulso com a imigração italiana no fim do século XIX e com a industrialização da massa e do queijo. Em 1937, a Kraft lançou uma versão em caixa como refeição econômica durante a Grande Depressão, consolidando o mac and cheese no cotidiano.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o consumo foi incentivado com promoções de compra de caixas por pontos de ração, o que ajudou a consolidar o prato na cultura culinária americana. Hoje, a indústria do mac and cheese movimenta bilhões de dólares anuais.

Monticello divulga a história de Hemings por meio de visitas e exposições. A instituição destaca que ele, ainda escravizado, recebia salário mínimo na Paris, o que facilitava o acesso a tutor e educação. O legado de Hemings é contado em roteiros como From Slavery to Freedom.

De acordo com historiadores, Hemings foi uma das primeiras figuras de culinária afro-americana treinadas na França, e possivelmente introduziu técnicas e o conceito de pratos de queijo ao estilo francês no cenário americano. Suas contribuições influenciam a cozinha doméstica do período.

Hoje, a trajetória de Hemings ganha reconhecimento em pesquisas, livros e documentários. A história é explorada em materiais educativos de Monticello e em produções que abordam a relação entre escravidão, aprendizado culinário e cultura alimentar dos EUA.

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