- Geração Z está voltando às agulhas e a atividades manuais, como tricô e crochê, influenciadas pelo que veem nas redes sociais.
- Estudos citados mostram impactos mentais na geração: Deloitte Insights indica ~40% sentem estresse/ansiedade quase sempre; 46% já tiveram diagnóstico de saúde mental, com ansiedade entre as mais comuns.
- Ao mesmo tempo, 63% da Geração Z passa a se desconectar intencionalmente das redes; 15% preferem pensar no passado, reforçando o saudosismo.
- O movimento ganha força em espaços como a Novelaria, que oferece cursos; a hashtag #knittok soma quase 345 mil vídeos e costuma levar pessoas a aprender tricô por influência das redes.
- Atividades manuais são tratadas como terapêuticas: ajudam o humor e o bem-estar, com foco e satisfação no processo criativo, conforme relatos de profissionais e evidências de pesquisas.
A geração Z tem mostrado uma tendência inusitada: o retorno ao manual, com tricô, crochê e outras artes manuais ganhando espaço como resposta ao ritmo da vida digital. Dados sobre saúde mental indicam que jovens da faixa etária entre 1995 e 2010 enfrentam altos índices de estresse e ansiedade, com quase metade já recebendo diagnóstico relacionado.
A dinâmica ocorre em meio a uma sociedade hiperconectada, onde lançamentos tecnológicos e IA ditam tendências. Em casa, a presença de uma vitrola ou de uma câmera descartável, em vez de dispositivos modernos, é cada vez mais comum entre jovens que vivem esse choque entre o óbvio e o atemporal.
A volta ao mundo real envolve também a busca por experiências que vão além da tela. Pesquisas mostram que 63% da Geração Z se desconecta voluntariamente, formando o maior grupo entre todas as gerações. Paralelamente, 15% preferem pensar no passado a projetar o futuro, segundo a GWI.
Na prática, espaços como a Novelaria, maior loja do Brasil de lãs e acessórios para artes manuais, passam a receber jovens que chegam por curiosidade das redes sociais e acabam migrando para atividades manuais. Profissionais ressaltam que o ato de tricotar ou crochê funciona como um refúgio que distrai da sobrecarga de mensagens diárias.
A pesquisadora e professora Leonora Pimentel destaca que a rede estimula a adesão a cursos presenciais, muitas vezes iniciados por influências de plataformas sociais. Aida Fonseca, psicóloga e chefe do espaço, reforça que o contato com atividades manuais ajuda a reduzir a sensação de estar sempre disponível online, ao menos momentaneamente.
Especialistas citam a prática de artes manuais como terapêutica complementar, com melhoria de humor e satisfação de forma temporária. Estudos indicam que atividades manuais promovem foco, concentração e uma sensação de realização ao longo do processo, não apenas ao concluir o produto final.
Além do tricô, instrumentos musicais, cerâmica, culinária e até pinturas ganham espaço como formas de aliviar a mente sobrecarregada. A ideia é oferecer um ambiente onde o toque, o olfato e a visão são estimulados, proporcionando uma experiência multissensorial e um senso de pertencimento, propiciado por encontros coletivos.
A nostalgia também aparece como parte dessa relação. Pesquisas demonstram que muitos jovens sentem saudade de épocas anteriores e se interessam por estilos e hobbies de passado. Esse apelo ao passado convive com a busca por novas formas de expressão, criando um paradoxo interessante entre o mundo digital e o artesanal.
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