A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro após ficar em último lugar na apuração desta quarta-feira (18). A escola, que levou para a Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também provocou debates ao incluir alegorias com críticas à chamada […]
A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro após ficar em último lugar na apuração desta quarta-feira (18). A escola, que levou para a Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também provocou debates ao incluir alegorias com críticas à chamada “família conservadora” e a setores conservadores da sociedade.
Com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação apresentou uma narrativa que exaltou a trajetória política do presidente, mas também apostou em representações simbólicas que ironizavam valores associados à família heteronormativa, a grupos religiosos e a setores militares. As escolhas estéticas dividiram opiniões nas arquibancadas e nas redes sociais.
Na apuração organizada pela Liesa, a escola perdeu pontos em quase todos os quesitos avaliados pelos jurados. O único desempenho máximo foi no samba-enredo, que recebeu nota 10. Com o resultado, a Acadêmicos retorna à Série Ouro em 2027.
O carnaval de 2026 reuniu cerca de 100 mil pessoas por noite na Sapucaí durante os três dias de desfiles competitivos, segundo a organização. A campeã foi a Unidos do Viradouro, que também conquistou o Estandarte de Ouro de melhor escola.
Desfile foi o que mais movimentou a opinião pública
Apesar do revés na pontuação, o desfile da Acadêmicos de Niterói se consolidou como um dos mais comentados da edição. Para críticos, a escola transformou a Avenida em espaço de posicionamento político explícito; para defensores, exerceu o papel histórico do carnaval como palco de crítica social e provocação simbólica.
O assunto mais comentado foi uma ala que apresentava um desenho de uma família feliz dentro de uma lata escrito: “família em conserva”, uma crítica explícita às famílias conservadoras.
Nas redes sociais, várias famílias publicaram montagens com imagens da mesma estética, em sinal de protesto contra a atitude. O jornalista e influenciador cristão Alam Carrion fez uma publicação nas redes com esta mesma imagem. Na legenda, escreveu:
“Pode atacar a família. Enquanto isso continuaremos lutando pela vida, continuaremos povoando a terra com nosso filhos, acertando e errado como qualquer sem humano, mas sem jamais deixar de amar”, afirmou.
A escola afirma ter sido alvo de perseguição política durante todo o processo de preparação para o desfile:
“Durante todo o processo carnavalesco, a nossa agremiação foi perseguida. Sofremos ataques políticos, enfrentamos setores conservadores e, de forma ainda mais grave, lidamos com perseguições vindas de gestores do próprio carnaval carioca”, diz a nota (veja a íntegra no fim da reportagem).
O que significa ser rebaixada em um desfile de Carnaval
O rebaixamento de uma escola de samba acontece quando ela recebe uma das piores notas na apuração do carnaval e termina nas últimas posições da classificação final.
No Grupo Especial, que é a divisão principal do carnaval, as escolas competem entre si e são avaliadas por jurados em diferentes quesitos, como samba-enredo, bateria, evolução, harmonia, fantasias e alegorias. Ao fim da apuração, a escola com a menor pontuação perde o direito de desfilar na elite no ano seguinte.
Isso significa que, na edição seguinte do carnaval, ela passa a integrar um grupo inferior, conhecido como Série Ouro (ou Grupo de Acesso). Para voltar ao Grupo Especial, a escola precisa vencer a competição desse grupo inferior no ano seguinte.
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