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Criança diz ‘é meu’ e ensaia identidade, afirma educador

Ao dizer “é meu”, a criança ensaia identidade; compartilhar nasce da maturidade emocional e da segurança no vínculo

"Quando a criança diz 'é meu', não está apenas defendendo um objeto, está ensaiando identidade" — Foto: Freepik
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  • Quando a criança diz “é meu”, não defende apenas o objeto: está ensaiando identidade e vínculo com o que valoriza.
  • Compartilhar depende de maturidade emocional, organização de sentimentos e da percepção de que o espaço próprio precisa ser protegido.
  • Ensinar a partilhar não deve ser pela obrigação, mas pela experiência repetida de cuidado e pela segurança construída no vínculo com o outro.
  • Falar sobre emoções durante a partilha ajuda a criança a entender o que sente e a transformar sentimento em compreensão.
  • Pode-se ampliar a prática com regras simples, como emprestar por tempo determinado e devolver, sempre mantendo o vínculo presente e a confiança entre as crianças.

Poucos momentos geram mais desconforto do que uma criança segurar o brinquedo perto do peito e afirmar que é seu. Um educador aponta que esse gesto vai além de uma defesa de objeto e revela a construção de identidade da criança.

Para o profissional, compartilhar envolve amadurecimento emocional. A criança precisa compreender que algo é próprio, sentir segurança no vínculo e ter espaço interno preservado antes de dividir. Crescer é organizar sentimentos e entender limites.

Pedir a partilha sem oferecer segurança pode transformar o ato em obrigação vazia. A orientação adequada não é apenas ensinar a dividir, e sim construir condições para o cuidado mútuo, com repetidas experiências de convívio respeitoso.

Quando o adult​o nomeia o que acontece, a criança passa a entender melhor a situação. Expressões simples, como indicar que o brinquedo é valorizado por ambos, ajudam a traduzir emoção em compreensão. O vínculo fica mais claro.

A prática sugerida envolve acordos, como empréstimos por tempo limitado, turnos de uso e devolução garantida. Pequenas trocas acompanhadas pelo adulto fortalecem a confiança e a ideia de que compartilhar é uma escolha de cuidado.

O processo também convida os pais e educadores a refletirem sobre seu próprio desconforto. A pressa em corrigir pode refletir ansiedade social, não necessidade real da criança. O foco é o vínculo que sustenta a decisão de compartilhar.

Essa perspectiva mostra que o que parece simples pode sustentar uma base de segurança interna. O objetivo é formar crianças que compartilham por escolha, não por imposição, construindo relações mais estáveis ao longo da vida.

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