- We’e’na Tikuna, influenciadora, estilista e ativista da Terra Indígena Tikuna Umariaçu (AM), fala sobre saberes indígenas e autocuidado como parte da cultura Tikuna.
- Ela afirma que o corpo é sagrado, e o banho, bem como o cuidado com cabelo e pele, são aprendidos desde a infância; a terra fornece tinturas a partir do jenipapo e do urucum para hidratar e explorar a beleza.
- As pinturas na pele representam proteção e cura, permanecendo por cerca de quinze dias; o jenipapo é utilizado também como repelente, batom, blush e bronzeador.
- O Ritual da Moça Nova marca a passagem à vida adulta, com início no primeiro ciclo menstrual, duração de cerca de vinte dias, isolamento e cuidado com pele, cabelo e menstruação; os fios de cabelo arrancados viram amuletos de proteção.
- Hoje, com mais de cinco milhões de seguidores, ela destaca a importância de marcas de beleza adotarem diálogo respeitoso com povos indígenas, reconhecendo avanços e ainda desafios para o reconhecimento da cultura.
We’e’na Tikuna, influenciadora, estilista e ativista, explicou saberes indígenas do povo Tikuna em comemoração ao Dia dos Povos Indígenas, 19 de abril. O tema central foi o autocuidado ligado à cultura, incluindo rituais de beleza e uso de recursos da terra. O relato ocorreu na Terra Indígena Tikuna Umariaçu, no AM.
Natural de Umariaçu, We’e’na destaca que o corpo é sagrado e que banho, pele e cabelo são parte do cotidiano. Segundo ela, a terra fornece elementos para a alimentação, tinturas e o tingimento dos cabelos, feito com jenipapo verde, ingrediente natural que hidrata.
As pinturas são parte da identidade Tikuna e funcionam como proteção e transformação. Segundo a influenciadora, a prática pode afastar energias negativas, e o urucum é utilizado como repelente, batom, blush e bronzeador por suas propriedades.
O Ritual da Moça Nova
Para o povo Tikuna, a menstruação é um período de atenção à mente, corpo e repouso. A passagem para a vida adulta começa com o primeiro ciclo menstrual e envolve cerca de 20 dias de isolamento, acompanhamento de mães e anciãs, cuidado com a pele e o cabelo.
Durante o ritual, os cabelos passam por uma etapa de retirada de fios, guardados como amuletos de proteção. O que cresce no lugar simboliza o nascimento da mulher e a continuidade da vida.
Voz política
We’e’na vive entre duas culturas e relata experiências de preconceito e racismo, que encontrou ao compartilhar a cultura na internet. A presença digital elevou a visibilidade de saberes Tikuna e abriu espaço para debates sobre discriminação, segundo ela.
Atualmente, a influenciadora soma mais de 5 milhões de seguidores e vê as marcas de beleza adotando valores de inclusão. Ainda assim, aponta necessidade de maior sensibilidade e de envolver o povo indígena, matriz da cultura brasileira, para evitar apagamentos.
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