- Brasília comemora 66 anos nesta terça-feira, 21, e a cidade é inspiração para artesãos que reproduzem monumentos em miniaturas.
- O artesão Agnaldo Noleto, 56 anos, acorda às três da manhã para produzir em sua oficina em Santo Antônio do Descoberto, Goiás, cerca de 850 peças por semana.
- As peças são lembrancinhas feitas com resina, palha e tinta, representando monumentos de Brasília, como a Catedral e os Candangos.
- Em frente à Catedral, Agnaldo cede a banca para outra família de nordestinos que comercializa as miniaturas, incluindo Nariane Rocha e Michele Lima.
- A vida dos artesãos é marcada pela rotina pesada, sonhos de abrir loja própria e manter a tradição cultural de Brasília nas peças handmade.
Com miniaturas, artesãos transformam lembranças de Brasília em novo sentido para a capital. A cidade completa 66 anos nesta terça-feira (21), enquanto homens e mulheres cruzam fronteiras para moldar monumentos em escala reduzida. O trabalho ocorre em Santo Antônio do Descoberto (GO) e na área da Catedral, no Plano Piloto.
Agnaldo Noleto, 56 anos, acorda às 3h para começar a produ… r, na oficina em sua casa. Ele usa resina, madeira e tinta para reproduzir monumentos a mais de 50 km de distância. Produz pelo menos 850 peças por semana, vendidas em feiras. A Catedral de Brasília é a peça que mais o inspira.
A história do artesão começou ainda cedo. Ele começou a ganhar dinheiro vigiando carros em um estacionamento de igreja, aos 14 anos, e migrou de Riachão (MA) para Brasília em 1980. A vocação ganhou forma com a pedra-sabão, hoje substituída pela resina por questões de saúde. O primeiro trabalho homenageou Os Candangos.
A rotina é intensa: de segunda a sexta, começa pela manhã e muitas vezes trabalha até a noite; aos fins de semana, monta a banquinha diante da Catedral das 8h às 18h. As peças são vendidas como lembranças para turistas e brasilienses. Em semanas, ele cede a banca para outra família nordestina.
Entre os vizinhos da praça, surgem histórias de quem sustenta o ganha-pão com as miniaturas. Nariane Rocha, 44 anos, maranhense, cuida das vendas desde a perda do marido, no fim do ano passado. Michele Lima, 42, potiguar, é nora dela e também auxilia na banca. O casal mora no Novo Gama, a mais de 40 km da Catedral.
A ligação com Brasília é marcada por sonhos. A família pensa em abrir uma loja própria e, no futuro, cursar psicologia. As peças são feitas à mão, com cuidado para resistir às chuvas, que obrigam proteção com plástico. O objetivo é manter a tradição artesanal que acompanha a vida na cidade.
Outras barracas lado a lado, na praça da Catedral, reforçam o movimento econômico da região. Alberto Correia, 57, de Paranã (TO), e Rodrigo Gomes, 41, de Anápolis, são exemplos de artesãos que investem em bases temáticas, como o mapa do Brasil. Todos reafirmam que cada peça carrega uma história de Brasília.
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