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Projeto de recuperação da casa da infância atrai atenção comunitária

Memória da infância em Pinheiro: casa simples, lembranças de família e décadas de crônicas que resgatam a vida na Baixada Maranhense

PRI-2404-OPINI - (crédito: Maurenilson Freire/CB/DA.Press)
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  • A autora nasceu em Pinheiro, cidade maranhense da Pré-Amazônia, às sete e meia da manhã, em uma vila de duas ruas, que foi elevada a município em mil novecentos e vinte.
  • A casa da infância era pequena, com um quarto na frente, piso de tijolo local, outro quarto, uma salinha de comida e cozinha, todas em chão de barro batido.
  • As lembranças incluem chuva constante na infância, água em potes, caldeirões de ferro na cozinha, horta com tomate, vinagreira, maxixes e abóbora, além dos animais urucus vermelhos e o cavalo Graúna.
  • Na vizinhança moravam José Anastácio, o grande prefeito, e José Alvim, farmacêutico, com Inês de Castro, que se tornaram amigos da família.
  • A autora destaca mais de cinquenta anos de crônicas e agradece a Deus pela vida e pela família, reforçando gratidão e lembranças que não morrem.

Eu sou só gratidão no dia de hoje. Todas as manhãs e noites agradeço a Deus pela vida que me deu e pela minha família. Deus guiou os meus passos, ainda hoje busca-me a fé.

Hoje, 24 de abril, meus olhos se abriram para o mundo às 7h30, na cidade de Pinheiro, na Pré-Amazônia maranhense. Pinheiro é descrita como área de Baixada, com lagos, capins variados e campos verdejantes que enfeitam o cenário.

A cidade é pequena, com ruas simples e uma planície que se estende até o horizonte. Em 1920, Pinheiro foi elevada a município, desmembrando-se de São Bento.

A casa da infância

Em março de 1930, uma comitiva chegou a Pinheiro ao fim da tarde, desembarcando no porto do Albino Paiva, ponto de apoio de comércio local. Ali, canoas serviam de transporte no inverno.

Nessa casa, meus pais estabeleceram residência. A morada era simples: um quarto na frente, piso de tijolo, outro quarto, uma sala de comida e cozinha, com chão de barro batido.

A casa da infância guarda as saudades que não passam. Na memória surgem o pote de água, a cozinha com caldeirões de ferro, o carvão, as frutas do quintal e a horta com tomates, vinagreira, maxixes, alface e abóbora.

Na frente da casa ficava a rua principal, hoje conhecida como José Anastácio, onde moravam vizinhos como José Alvim, farmacêutico, e Inês de Castro, que se tornaram amigos.

Naquela madrugada anterior ao meu nascimento, choveu muito. Meu pai precisou buscar na Farmácia do Zé Alvim a injeção para ajudar o parto. O ditado local dizia: abril, chuvas mil; maio, trovão e raio.

Memórias em chuvas

Recordo as chuvas da minha infância e as águas que parecem não cessar. Mesmo hoje, em dia de lembranças, a chuva persiste em minha memória, uma chuva azul-escuro que doura o dia.

Pinheiro, cidade pequena, pobre e isolada, abriga minha casa e meu chão. Ali meus olhos se abriram para a vida, entre duas ruas que formam o eixo central.

Ao longo de minha carreira jornalística, com mais de 50 anos de crônicas semanais, a data de hoje se destaca pela coincidência incomum com meu nascimento. Nunca houve coincidência entre aniversário e dia de publicação.

Desculpe-me, leitor, mas agradeço pelas felicitações que recebo, ainda que sejam apenas lembranças.

Eu sou só gratidão pela vida que recebi, agradecendo a Deus pela infância, pela família e pelos laços que me acompanham. Que viva a vida, o amor e as memórias que nunca morrem.

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