- A exposição Faces, de Ana Lima, está em cartaz no Museu dos Correios e apresenta retratos em grande formato de pessoas em situação de rua no Setor Comercial Sul.
- São onze fotografias que destacam a relação dessas pessoas com o banheiro público da região, considerado central para a dignidade e a vida diária no local.
- A mostra nasceu de um trabalho iniciado durante a pandemia, quando o projeto No Setor reformou o banheiro público próximo ao museu para atender quem mais precisa.
- Além das imagens, há um áudio com depoimentos que pode ser ouvido por meio de um QR Code na exposição.
- A curadoria enfatiza a dignidade humana dos retratados, buscando criar empatia e mostrar a diversidade de histórias por trás da vulnerabilidade na rua.
A exposição Faces, de Ana Lima, apresenta retratos em grande formato de pessoas em situação de rua ligadas ao Setor Comercial Sul, em Brasília. A mostra fica no Museu dos Correios e utiliza imagens com iluminação interna para enfatizar a dignidade dos retratados. O projeto nasceu a partir de ações de reforma de um banheiro público do SCS, mantido por doações, que passou a abrigar a visão da fotógrafa.
Entre os pilares da mostra está a ideia de descontruir estereótipos sobre moradores de rua. Lima acompanhou o projeto durante três anos, inspirada pela ideia de reabrir o banheiro próximo ao museu, para que haja acesso a serviços básicos. A iniciativa ganhou novas dimensões com o tempo, transformando o espaço em foco da exposição.
Faces reúne 11 fotografias de pessoas que frequentaram o banheiro público do SCS ou que já viveram nas ruas da região. As imagens são acompanhadas por relatos de quem utiliza o espaço, com o banheiro surgindo como personagem central da narrativa. A curadoria buscou transmitir a diversidade das trajetórias humanas envolvidas.
As fotografias aparecem em caixas de acrílico retroiluminadas, conferindo luminosidade que emana das próprias imagens. O curador Marcelo Feijó apoiou a concepção com uma referência a uma frase de Joãozinho Trinta sobre luxo visual, buscando conferir dignidade ao conjunto.
O espaço expositivo também traz um áudio com depoimentos, acessível por QR Code. Conduzida por Lima, a mostra privilegia retratos de alta definição que visam gerar empatia e aproximar o visitante das histórias humanas representadas.
A fotógrafa destaca a importância de retratar os temas com técnica de retrato para valorizar a humanidade das pessoas. Em entrevista, ela afirma que pretende que o público saia com uma visão diferente sobre quem são os retratados e como a vida pode se organizar em torno de serviços básicos.
O projeto inclui três perguntas da fotógrafa, apresentadas ao público durante a abertura. Elas abordam o impacto do olhar direto nos retratos, a possibilidade de transformação que a arte pode gerar e o papel social da atividade artística na mudança de percepção sobre a população em situação de rua.
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