- Manter dinheiro parado em momentos de incerteza não é recomendável por custo de oportunidade: com a Selic em 14,50% ao ano, R$ 100 mil indisponíveis rendem R$ 14,5 mil por ano a menos.
- Em períodos assim, a orientação é buscar investimentos seguros e líquidos de renda fixa, com baixo risco de crédito, mercado e liquidez.
- Tesouro Reserva foi lançado para atender quem não investe ou usa a poupança, com início de funcionamento a partir de R$ 1 e liquidez diária, rendendo 100% da taxa Selic e sem marcação a mercado.
- Alternativas privadas incluem o Certificado de Depósito Bancário (CDB) com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e liquidez diária, além de fundos DI; porém, estes podem ter rentabilidade inferior a 100% da Selic ou taxas de administração.
- Os rendimentos estão sujeitos a imposto de renda e, em aplicações com menos de trinta dias, IOF; planejamento financeiro pode reduzir o impacto do IOF e da alíquota de IR.
Em tempos de incerteza, manter grandes valores parados costuma não ser recomendável. A ideia central é colocar o dinheiro para trabalhar, buscando rentabilidade sem abrir mão de liquidez e segurança. Com a taxa básica em 14,50% ao ano, manter R$ 100 mil ocioso pode gerar uma oportunidade perdida de cerca de R$ 14,5 mil anuais.
Especialistas apontam que a proteção deve ocorrer em investimentos de renda fixa, os quais oferecem menor risco de crédito, de mercado e de liquidez. Ou seja, opções que permitam resgatar o capital total ou parcial sem perder rendimentos ou o principal.
Investimentos considerados seguros e líquidos
Entre as opções disponíveis, o Tesouro Reserva surge como destaque disruptivo. Lançado para abrir o acesso de quem não investe ou utiliza apenas a poupança, o título exige apenas R$ 1 para começar, funciona 24 horas e rende 100% da Selic, sem marcação a mercado.
A venda antecipada do Tesouro Reserva pode ser efetuada a qualquer momento pelo valor conhecido, o que reduz a sensação de perda interna pelo ajuste de mercado. Inicialmente disponível nas agências do Banco do Brasil, a expectativa é que o produto chegue a outros bancos e corretoras em breve.
No setor privado, o CDB oferece liquidez diária e conta com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A remuneração varia conforme a instituição financeira e o valor investido, podendo ficar abaixo de 100% da Selic em alguns casos. A aplicação pode ser feita via aplicativo.
Fundos DI e aspectos tributários
Fundos DI, atrelados à variação da taxa CDI, também são opções. Contudo, cobram taxas de administração, o que costuma reduzir a rentabilidade para menos do que 100% do CDI. Além disso, a carteira pode envolver riscos de carteira, limitando a segurança em comparação ao Tesouro Reserva. A liquidez é diária, com aplicação mínima muitas vezes de R$ 100.
Os rendimentos de Tesouro Reserva, CDB e fundos DI estão sujeitos a imposto de renda conforme a tabela, além da incidência de IOF quando o prazo é inferior a 30 dias. Um planejamento financeiro de prazo mais alongado pode reduzir o impacto do IOF e favorecer a menor alíquota de IR.
Observação histórica e cautelas
Momentos de incerteza exigem prudência, mas não justificam deixar o dinheiro parado, sobretudo diante do custo de oportunidade atual. Sobre riscos históricos, o texto cita um confisco de 1990, considerado de baixa probabilidade de repetição, com impactos que vão além do financeiro.
Profissionais destacam a importância de seguir estratégias com liquidez suficiente para enfrentar imprevistos, sem abrir mão de proteção contra credores ou oscilações de mercado. A orientação é buscar instrumentos estáveis, com retorno previsível e acesso imediato ao recurso investido.
Marcia Belluzo Dessen é planejadora financeira certificada pelo CFP. As informações expressas refletem as visões da autora e podem não representar a posição do portal ou de entidades parceiras.
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