- A febre das figurinhas da Copa ganhou espaço nas escolas, com trocas liberadas nos intervalos e atividades como o “bafo” entre os alunos.
- Educadores destacam ganhos em negociação, respeito às diferenças, organização, tomada de decisões e lidar com frustrações.
- O Colégio Rio Branco criou um espaço exclusivo para as trocas e promove campeonatos de bafo entre turmas da mesma faixa etária.
- Na Pueri Domus e no Centro Educacional Pioneiro, a troca fortalece conexões entre alunos de diferentes séries e é usada como ferramenta pedagógica para entender ganhar, perder e negociações.
- Há iniciativas de sustentabilidade com descarte do liner (papel atrás da figurinha) para reciclagem, além de ações comunitárias ligadas à Copa, como pintura coletiva de rua.
A Copa do Mundo impulsiona o álbum de figurinhas, com quase mil espaços em branco a completar. Crianças, jovens e até adultos trocam trocas durante a atividade, que ganhou espaço nas escolas. A ideia é transformar a febre em prática educativa.
Nas instituições, o momento de troca é visto como oportunidade de desenvolver habilidades sociais. Professores destacam negociação, respeito às diferenças, organização e tomada de decisões como ganhos da brincadeira durante o intervalo.
Na prática, o Colégio Rio Branco abriu um espaço temático para as trocas e promove campeonatos de bafo entre faixas etárias. Em sala, há reforço sobre ganhar e perder, estratégias de negociação e curiosidades culturais da Copa.
Reforço nas interações sociais
Na Escola Bilíngue Pueri Domus, unidade Aclimação, adolescentes dizem que o escambo aproxima alunos de turmas diferentes, gerando novas amizades. A dinâmica é vista como alternativa ao uso excessivo de celulares.
Miguel Bellas, 11 anos, afirma que o bafo facilita a socialização com colegas de outros anos. Rafael Cipriani, também 11, revela paciência estratégica para não perder figurinhas repetidas de uma só vez.
Catarina Vargas, 11, comenta que aprender a negociar é útil para completar o álbum e para compreender vitórias e derrotas. A aluna Maria Clara Peruchi diz que trocar na escola é divertido e produtivo.
A diretora Lilian Damasceno ressalta que a convivência entre gerações digitais exige socialização prática. Ela enfatiza que a prática ocorre nos intervalos e que há limites para manter a organização.
Diversão analógica
No Centro Educacional Pioneiro, as trocas também acontecem nos momentos de entrada, intervalo e saída. A recomendação é levar apenas figurinhas, não o álbum completo. A balança tem sido positiva para a interação social.
O diretor pedagógico, Mário Fioranelli, vê nas figurinhas uma oportunidade de desenvolver negociação e habilidades para a vida em sociedade. O tema também inspira um guia de viagens de estudo no meio, em formato de álbum.
Alunos do 9º ano vendem figurinhas da Copa em eventos para financiar a viagem de fim de ciclo. No último evento, a venda gerou cerca de 5 mil envelopes comercializados.
Descarte sustentável
Algumas escolas promovem reciclagem do liner, o papel atrás da figurinha, que não é reciclado pelas cooperativas. Empresas especializadas recebem o material para reaproveitar corretamente.
O Colégio Santa Catarina, em Mooca, abriu espaço para trocas internos e convidou a comunidade para uma pintura coletiva na Rua Marquês de Valença. A ação celebrou a Copa com cores verde e amarelo.
Bruno Catâneo, diretor do Colégio Santa Catarina, explica que a mobilização buscou aproximar alunos, familiares e professores, unindo o sentimento de futebol e escola.
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